Enquanto o Congresso avalia venda dos Correios, associação destaca lucros da estatal


Associação dos Profissionais dos Correios lembra que na última década houve prejuízo em quatro anos seguidos não em função das operações, mas por conta de decisões políticas do Ministério da Economia e da aplicação de nova norma contábil.

Urgência da tramitação do PL dos Correios foi aprovada pela Câmara dos Deputados em abril de 2021

A Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap) soltou comunicado em que alerta sobre imprecisões relativas aos resultados da estatal, cujo projeto de privatização está pronto para ser votado. No documento, a entidade diz que, além de informações erradas, são “apresentadas interpretações completamente equivocadas, muitas vezes induzidas por discurso falacioso de autoridades do próprio governo federal”.

A Adcap ressalta que os Correios publicam todos os seus demonstrativos financeiros em seu site na internet, disponível para qualquer pessoa. E inclui os números dos Correios de 2010 a 2020, extraídos desses demonstrativos. Nota-se que após quatro anos seguidos de resultados negativos (2013 a 2016), a estatal entrou em fase de rendimento altamente positivo, passando para lucro de R$ 667 milhões, em 2017, a R$ 1,53 bilhão, em 2020.

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A associação diz que as principais razões que impactaram os resultados dos Correios a partir de 2013 não possuem relação com as operações e negócios da empresa, com corrupção, má gestão ou coisas assim, mas sim com decisões do governo e mudanças contábeis.

Entre essas interferências do governo, a Adcap cita o congelamento tarifário, por decisão do Ministério da Fazenda, pelo período de dois anos; recolhimento excessivo de dividendos, pelo Ministério da Fazenda, “muito além dos 25% do lucro líquido previsto em lei e usualmente praticado”; e “implantação abrupta de nova norma contábil (CPC 33), que determinou o pré-pagamento das despesas de pós-emprego, as quais eram contabilizadas até então à medida em que ocorriam, sem que o Ministério do Planejamento tomasse nenhuma medida para proteger as estatais grandes empregadoras, como Correios e Caixa, dos graves efeitos dessa mudança contábil”.

Diz ainda que “o MP poderia ter atuado para diferir os efeitos ou mesmo para articular a constituição de um fundo que evitasse a contabilização direta dos impactos da mudança nos balanços das grandes estatais, mas se omitiu completamente.”

Ainda no comunicado, a entidade frisa que “em 2020, diferentemente do que aconteceu com a imensa maioria das empresas, os Correios alcançaram um lucro recorde, de R$ 1,53 bilhão, turbinado pelo crescimento do e-commerce e pelo fato de que a empresa não parou na pandemia”.

A associação finaliza dizendo que apesar de tratar-se de uma empresa que presta serviço público, a estatal está com excelentes resultados, não cabendo qualquer alegação de tratar-se de uma organização que dá prejuízos ao Estado ou que padece de qualquer dificuldade de ordem econômica, inclusive para realizar investimentos.

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