Reforma das comunicações passou pelo Senado sem que senadores a conhecessem, diz Requião


Os senadores que se posicionaram contra a aprovação do PLC 79/2016 (que na Câmara era o PL 3453), responsável por reformular o marco legal de telecomunicações no Brasil, foram ao ataque na tentativa de vetar a sanção do projeto. A estratégia é buscar apoio através da mobilização via redes sociais.

Desde o dia 19, segunda-feira, quando a mesa diretora do Senado manobrou para barrar recurso pedindo ida a plenário do texto, diferentes políticos publicam vídeos tecendo duras críticas ao projeto e à ingerência do governo sobre o processo legislativo.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-RS) publicou vídeos e montagens segundo os quais o PLC significa a entrega de bandeja, por parte de Michel Temer, de R$ 100 bilhões em ativos da União às operadoras.

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Montagem publicada pela senadora Vanessa Grazziotin em sua página no Facebook

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) vai além. Em três vídeos diferentes, publicados nesta semana, diz que o projeto representa a entrega de patrimônio público com valor entre R$ 68 bilhões e R$ 100 bilhões “sem que o plenário, o conjunto dos senadores, tenham discutido e sem que ninguém saiba o que está acontecendo”. Diz ainda que houve manobras para que o texto fosse aprovado de forma terminativa em comissão pois “em plenário os Senadores jamais” o aprovariam.

Em outro vídeo, afirma que o PLC é um crime de “lesa-pátria” que tem a ingerência da Casa Civil sobre o Senado. “Empresas que deveriam prestar um bom serviço para a população, mas que por má gestão, não sei, estão hoje praticamente falidas. É um escândalo sem limite, com apoio do diretor geral do Senado e com ação da Casa Civil. É um caso de lesa-pátria. O Senado não discutiu, ninguém sabe do que se trata. Cadeia para esse tipo de comportamento e atitude. Isso é intolerável”, diz.

Ele vai à carga, ainda, contra a entrega perpétua de espectro para as operadoras, um dos artigos do PLC. “É um entreguismo sem limite”, resume. Abaixo, um dos vídeos publicados pelo senador.

Organizações da sociedade civil também manifestaram, hoje, repúdio ao trâmite do PLC no Senado.

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