Em julho, ISPs começam a operação comercial de serviço de vídeo


Tele.Síntese Análise 388 Em julho, ISPs começam a operação comercial de serviço de vídeo   Julho de 2013 poderá ser o mês em que, pela primeira vez, provedores regionais de conexão à internet e serviços de comunicações vão lançar comercialmente serviços de TV paga no Brasil. A iniciativa não é exatamente inédita. Desde outubro do …

Tele.Síntese Análise 388

Em julho, ISPs começam a operação comercial de serviço de vídeo

 

Julho de 2013 poderá ser o mês em que, pela primeira vez, provedores regionais de conexão à internet e serviços de comunicações vão lançar comercialmente serviços de TV paga no Brasil. A iniciativa não é exatamente inédita. Desde outubro do ano passado, três provedores – iSUPER/PR, Bitcom/Caxias do Sul e Gigalink/RJ – participam de um piloto com os pacotes da ISP TV, parceria entre a Algar Telecom e a WDC, exatamente para oferecer programação aos provedores. Já há mais onze provedores, nos estados de Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná, se preparando para colocar pacotes no mercado, nos mesmos termos. E, provavelmente a partir de julho, devem começar a oferecer o serviço.

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Se não conseguirem cumprir seus cronogramas, os provedores parceiros da ISP TV podem perder a primazia. A Life Telecom, que opera nas cidades de Pompeia, Marília, Garça, Vera Cruz, Oriente, Quintana, Ocauçu, Echaporã e Herculândia, em São Paulo, também pretende chegar ao mercado no segundo semestre, provavelmente em julho, informa Oswaldo Zanguettin Filho, presidente da empresa, que já conseguiu fechar negociação com a Globosat.

 

Os modelos escolhidos pelas empresas associadas à ISP TV e pela Life Telecom são distintos. A Life Telecom tem licença de Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) e negociou a aquisição de seu conteúdo diretamente com programadoras. As empresas que trabalham com os pacotes da ISP TV operam sob a licença da Algar Telecom – que tem 113 mil assinantes e, assim, escala para negociar acordos de programação.

 

O acesso à programação é uma das barreiras de entrada aos provedores regionais nesse mercado. De acordo com um provedor que se prepara para oferecer serviço de vídeo – em abril, havia 21 licenças concedidas pela Anatel e 98 em andamento, várias para provedores –, só é possível negociar com a Globosat, por exemplo, depois de emitida a licença SeAC e implantada a rede e os equipamentos para a prestação do serviço. Além disso, a empresa exigiria uma garantia de seis vezes o faturamento real, difícil de apresentar, para os provedores menores. Zanguettin, da Life Telecom, considera as exigências normais quando se trata de um grande fornecedor. É uma questão de escala, acredita Marcelo Siena, presidente da Rede Telesul e dono da iSUPER: “Essas empresas trabalham com dezenas de milhares, centenas de milhares de assinantes. Não estão preparadas para conversar na faixa de milhares, somente”.

 

Preparação

O trabalho da ISP TV foi amplo. Durante os meses do piloto, as empresas tiveram de lidar com questões regulatórias. O cumprimento dos indicadores da Anatel para o serviço e sua comunicação para a Algar Telecom (que será a empresa fiscalizada, porque detém a licença) é um dos principais desafios. Para superá-lo, as empresas precisaram mudar fluxos e integrar seus sistemas de informação (cadastros, atendimento, bancos de dados) aos da Algar.

 

Outra barreira é a da infraestrutura. A ISP TV vai operar via satélite, com DTH. A adesão dos provedores auxilia a Algar Telecom a amortizar os investimentos de R$ 30 milhões a R$ 35 milhões realizados, nos últimos três anos, em seu sistema de transmissão via satélite. E os provedores regionais conseguem, com esse sistema, oferecer serviços na zona rural. Mas algumas empresas preferem construir sua própria infraestrutura. Manoel Santanna, diretor da Via Real, operadora de telecom que atende 14,5 mil assinantes em Conselheiro Lafaiete, Ouro Branco e Congonhas – e já tem licença SeAC – implantou fibra nessas três cidades, se preparando para lançar o serviço de vídeo no final do ano.

 

De acordo com Marcelo Bleser, diretor adjunto de marketing da Algar Telecom, os provedores que vão aderir à ISP TV serão cerca de 450. Siena, da iSUPER, conta que a empresa fez, em 2011, uma pesquisa em que constatou que 60% de seus usuários não tinham TV por assinatura: “Esta é uma oportunidade de agregar mais um serviço a um relacionamento já existente com os clientes”. Vergani, da Bitcom, está satisfeito. Desde que começou a vender o serviço de TV paga, a adesão de novos clientes cresceu de 400 para mil por mês, explica ele. A Bitcom atende cerca de 16 mil assinantes, afirma.

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