Em dois anos, cresce 125% o número de cidades conectadas no Piauí


O Projeto Piauí Conectado, resultado da primeira Parceria Público Privada (PPP) do setor, já tem números robustos para mostrar. No período de 2018 a 2020, enquanto a quantidade de municípios com banda larga no Brasil cresceu 22%, no Piauí, esse crescimento foi de 125%. Segundo Emerson Silva, o backbone próprio da primeira etapa estará concluído até o final deste ano.

O Projeto Piauí Conectado, resultado da primeira Parceria Público Privada (PPP) do setor, lançado em 2019, já tem resultados robustos para mostrar. Segundo o presidente, Emerson Thiago da Silva, em 2018 o estado tinha apenas 18% dos municípios com fibra óptica. No final do ano passado, já somavam 40% do municípios. Enquanto nesse mesmo período o Brasil registrou crescimento de 23% no número de cidades conectadas com fibra, o Piauí cresceu125%.

Para o executivo,  essa rápida expansão foi motivada pelo estímulo que a construção do backbone para o governo do Estado gerou para provedores regionais.

“Houve uma “corrida” desses provedores para se antecipar ao projeto, ou para se protegerem ou para atenderem ao próprio projeto, já que nós contratamos muita banda larga deles.”Emerson Thiago da Silva, Presidente Piauí Conectado

A PPP já interligou 101 municípios do Piauí e até o final deste ano conclui a construção do backbone próprio, que nessa primeira etapa interliga 1,5 mil unidades do estado. A segunda etapa já está planejada e vai conectar 100% do estado com rede de alta capacidade, com proposta de conclusão em 2023. Com a PPP, o Piauí Conectado, além de ligar as unidades do governo do estado, começou, em janeiro deste ano, a oferecer para os ISPs a oferta de links. Leia aqui os principais trechos da entrevista:

Tele.SínteseComo está avançando o projeto Piauí Conectado?

Emerson Thiago da Silva – Esse projeto é a primeira Parceria Público Privada (PPP) do país e está dando muito certo. Para construção da rede de banda larga, só usamos fornecedores de primeira linha, com rede aérea e rede subterrânea, interligando primeiramente 101 municípios. Já existem estudos do governo do Piauí para ampliarmos o projeto e conectar mais 123 municípios com fibra óptica. Ao final da implantação, 100% do estado, ou 224 municípios, estarão  interligados com fibra óptica.

Tele.Síntese – Essas primeiras 101 cidades já estão todas conectadas?

Emerson – Estão já todas conectadas ao Piauí Conectado. Mas em algumas delas ainda estão sendo utilizadas redes de terceiros. Estamos construindo as redes metropolitanas, com GPON. O backbone próprio, que interliga todas essas cidades, ficará concluído no final deste ano.

Tele.Síntese – Já é possível ter alguns dados sobre o resultado do projeto?

Emerson – Como o gráfico mostra, há  um salto no número de municípios com fibra óptica comparado ao Brasil, conforme os dados da Anatel. O projeto serviu como indutor de investimentos para os provedores privados de internet. Houve uma “corrida” desses provedores para se antecipar ao projeto, ou para se protegerem, ou para atenderem ao próprio projeto, já que nós contratamos muita banda larga deles.

Tele.Síntese – E para o governo que fez a parceria, já há resultados?

Emerson – O governo diminuiu muito os custos de comunicação, aumentou a eficiência em sua prestação de serviço, pois estão interligados na rede, escolas,  delegacias de polícia, todos os órgãos do estado. Esses órgãos tinham links de 256K ou 512K, quando tinham. Hoje, 100% das unidades administrativas no estado recebem no mínimo link de 30 Mbps. A rede está presente em 1,5  mil pontos. O investimento que o Estado fez foi zero. Reduziu os custos com telecom e aumentou produtividade e eficiência nas comunicações.

Tele.Síntese – Essa iniciativa pode ser replicada para outras unidades da Federação?

Emerson – Já temos estudos prontos para o Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará e fomos autorizados a desenvolver o projeto para  Acre e Tocantins.

Tele.Síntese – Qual a vantagem para o estado promover uma PPP nessa área?

Emerson – O Poder Executivo é um grande cliente de banda larga. De um lado, é um grande consumidor e, de outro, é grande fornecedor de banda larga para a sociedade.  Onde tem o cidadão, o governo precisa prover serviços, seja de segurança, saúde ou educação. E precisa de rede de conectividade com capilaridade e capacidade para entregar esse serviço. Ninguém no mercado tem condição de atender o governo cliente. E a demanda aumenta a cada dia. Se analisar as variáveis, é muito viável para o governo contratar uma PPP e ainda sim pagará menos. E, ao final do contrato de concessão, em 30 anos, o ativo volta para o governo, e de quebra, fomenta a iniciativa privada.

Tele.Síntese – No leilão do 5G, uma das obrigações será levar o backhaul de fibra para todos os municípios brasileiros. Mais de 1,9 mil cidades ainda não têm backhaul. Isso não afetará o projeto de vocês? 

Emerson – O nosso projeto prevê 100% de fibra óptica, subterrânea ou aérea, até 2022. Nossa rede ficará pronta antes do início das metas do leilão. 80% da primeira etapa do projeto já está com backbone pronto. Estamos em ritmo de cruzeiro da obra. Estamos entregando uma média de 200 quilômetros de backbone por mês. O projeto prevê um anel Norte um anel Sul.

Tele.Síntese – E como é o relacionamento do Piauí Conectado com os provedores que trabalham no varejo?

Emerson – Em janeiro deste ano fizemos a primeira oferta pública de capacidade de banda para a capital, Teresina. Qualquer provedor pode comprar link onde o anel esteja instalado.

Tele.Síntese – E os preços, são competitivos?

Emerson – Temos uma preocupação de também não fazer concorrência predatória. Não somos os mais baratos nem os mais caros. Não queremos ofender o mercado. A nossa proposta é criar a rede neutra, nos moldes da Infraco

Tele.Síntese – Mas a rede neutra da Infraco da Oi tem também a oferta de varejo. Vocês pensam em construir redes de FTTH?

Emerson – Não. Vamos nos concentrar apenas no atacado.

Tele.Síntese – A RNP lançou uma consulta para a construção de um trecho do backbone da Amazônia. Vocês se interessam em disputar o projeto?

Emerson – “Não acreditamos em projetos de apenas compra de ativos de infraestrutura de telecomunicações. Na tecnologia da informação, temos que pensar na gestão e operação do ativo, em SLA, que no final é muito mais importante do que a aquisição. Isto a lei 8.666/93 simples não contempla.”

Tele.Síntese – Onde estão sendo armazenados os dados do projeto?

Emerson – Temos data center Tier III, um dos poucos TIER III do Nordeste, e fica em Teresina.

 

 

 

 

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