Dólar alto faz Wi2Be voltar a produzir no Brasil


A fabricante paranaense de rádios para infraestrutura de provedores regionais, Wi2Be, acelerou os planos para voltar a fazer seu dispositivo, o rádio Smart HP, no Brasil. A empresa havia levado a produção para a China em 2013, após fechamento de planta da Siemens (hoje, Unify), então responsável pela fabricação local.

Mario Sergio Wi2Be
Veríssimo, da Wi2Be: Planos de produzir rádios para instalação no usuário final. (Foto: divulgação)

Segundo Mário Sérgio Veríssimo, diretor-geral e um dos fundadores da Wi2Be, a empresa estudava o retorno da produção ao país desde então, mas o Real forte beneficiava a importação. “A valorização do dólar acelerou a necessidade de fabricar aqui. A gente teve que fazer o projeto a toque de caixa. Não foi difícil porque tínhamos um parceiro muito interessante”, conta. Este parceiro é a Serdia, também de Curitiba.

A fabricação local deve ser iniciada em no máximo duas semanas, e contará com as desonerações habituais por adotar o processo produtivo básico (PPB). Também pesaram na decisão de voltar a fazer o rádio aqui sua inclusão na lista de produtos que podem ser comprados com o Cartão BNDES ou com recursos do Finame – Financiamento de Máquinas e Equipamentos, também do BNDES. “A falta de financiamentos adequados força a gente a buscar a produção local. A partir do momento em que fabrico aqui, tenho acesso a ferramentas de crédito muito importantes”, observa.

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A fabricação local será, já, da terceira geração do rádio Smart HP. O rádio, cujo enlace pode ser adquirido ou alugado, foi desenvolvido pela Wi2Be com foco nos pequenos provedores. “Essas empresas SCM viraram um mercado enorme, gastam R$ 5 bilhões por ano e representam boa parte da internet fixa no Brasil”, afirma. Segundo dados de março da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os provedores regionais foram responsáveis por 2,02 milhões de acessos fixos, ou 8,28% do total de 24,4 milhões de conexões fixas de banda larga.

Este foco nos pequenos exigiu um desenvolvimento estratégico do produto. A primeira geração do Smart HP foi um dos primeiros rádios full outdoor do mundo. Contava com recursos avançados, geralmente requisitados por engenheiros das grandes operadoras de telecomunicações. Mas as empresas com licenças para operar serviços de comunicação multimídia no interior do país queriam algo menos complexo.

SMART-HP-wi2be

“Precisávamos de um hardware de segunda geração mais plug&play, sem um monte das funcionalidades que as operadoras exigem, mas que para o SCM faz todo sentido”, lembra. A terceira geração do produto ficou ainda mais simples – e é fabricada hoje com não mais que duas placas de circuito. Mesmo assim, é um rádio de microondas capaz de operar nas frequências licenciadas que vão de 6,5 Ghz a 23 GHz.

O rádio tem capacidade de 477 mbps, com portadoras de 60 Mhz. Uma atualização permitirá o uso de portadoras de 80 Mhz, largura de banda ainda não autorizada no Brasil. Mas isso não é um problema para Sérgio. “Temos a pretensão de exportar. Muitos países que aceitam essa configuração”, frisa.

A empresa investiu cerca de US$ 1 milhão do desenvolvimento da peça, no último ano. E deve colocar mais dinheiro para expandir a linha de produtos. “Hoje temos apenas o Smart HP, rádio de alta capacidade voltado paro o backbone dos provedores. Vamos fazer também variantes de baixa capacidade, para o usuário final. Terá capacidade de cerca de 100 Mbps e deverá se chamar Smart 100”, diz. A Wi2Be fatura R$ 19 milhões ao ano e entrega, em média, 100 enlaces (formado por um par de rádios) por mês. Metade destes enlaces são alugados. A meta para o ano é chegar em 1 mil enlaces e aumentar o faturamento para R$ 26 milhões, 36% que em 2014.

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