Diretor da TIM detalha projeto de small cells


A TIM é a operadora brasileira que, no momento, mais veste a camisa das redes heterogêneas. Tanto é que o presidente, Rodrigo Abreu, reiteradamente vem discutindo a necessidade de regulamentação condizente com a potência para as várias camadas da infraestrutura móvel de telecomunicações. Com a expectativa de um grande processo de implementação a ser iniciado ainda no primeiro trimestre, o Tele.Síntese conversou com Marco Di Constanzo, diretor de infraestrutura de rede da TIM, para entender a visão da empresa para redes heterogêneas e para quais finalidades usará small cells.


TeleSíntese:
 Como o senhor vê a maturidade do uso de small cells no mundo?
Marco Di Constanzo: Rede heterogênea significa agregar, além da camada macrocelular tradicional, as femtocells e microcells. Ambas podem ser instaladas dentro ou fora dos ambientes. No mundo afora, essa tecnologia já está muito madura. Hoje há 7 milhões de microcélulas instaladas no mundo, e boa parte desse volume, cerca de 60%, nos Estados Unidos. Outros 30% estão na região Asía-Pacífico e 10% na Europa. O driver é o crescimento do tráfego de dados. Aqui no Brasil, a TIM está sendo pioneira nesse processo.

 

TeleSíntese: O interesse da TIM é usar essa cobertura de femto e microcélulas para ambientes fechados ou áreas externas?

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Di Constanzo: Vamos usar femtocelulas para cbertura indoor e microcélulas tanto para redes internas quanto externas.


TeleSíntese:
 O maior objetivo da TIM com as small cells é garantir cobertura ou aumentar a capacidade?
Di Constanzo: Diria que são as duas coisas. O driver fundamental é complementar a rede macro. Pode atender um ponto de sinal fraco, onde há redução do nível da intensidade do sinal, mas também pontos de acumulação do tráfego, que precisam de camada adicional de rede. No momento, ainda estamos preparando a infraestrutura para tratar esse tráfego adicional.


TeleSíntese:
 Quando falamos de cobertura indoor, tratamos de corporativo/empresarial ou também há interesse no mercado residencial?
Di Constanzo: Nossa prioridade na primeira fase está com os clientes enterprise de pequeno, médio e grande portes. Mas já estamos fazendo experiências com clientes residenciais, com femto em residência privada de clientes.

TeleSíntese: Por que começar pelo enterprise?

Di Constanzo: Acredito que o modo de começar a implementar uma tecnologia é do modo prático. Logo em seguida vamos para o segmento residencial. Existem femto diferentes para atender cada segmento.

 

TeleSíntese: Começarão o deployment pela rede 3G ou 4G?

Di Constanzo: Nossa prioridade claramente é implementar small cells para o 3G, porque nossa base hoje é praticamente quase inteiramente 3G. A rede 4G está em desenvolvimento e o parque de clientes ainda não é tão numeroso que exija a diversificação no níveil microcelular. Acreditamos que vai haver um ramp up, aceleração, bastante significativa nessa primeira fase, este ano, centrada nas empresas.

 

TeleSíntese: Alguns fornecedores, aqui ou no exterior, têm falado nos benefícios de small cells para cobertura rural, como, por exemplo, o baixo consumo de energia. No Brasil, a desoneração desses equipamentos não se aplica aos caso de cumprimento de obrigação rural prevista no edital de 2,5 GHz. Ainda assim, vocês avaliam a utilização desse tipo de equipamento na área rural?

Di Constanzo: Olha, essa é uma coisa que estamos analisando. Acontece que a obrigação de cobertura rural aqui tem meta de atendimento por área bastante agressiva [30 km contíguos da borda do municípios]. A tipologia do equipamento, a potência que irradia, pouco se adequa a esse tipo de finalidade. Porém, existem casos – por povoado, por agregação de subúrbio rural ou um aglomerado populacional – em que é possível utilizar small cells outdoor, mas sempre para uma área limitada. Mas, nossa avaliação, é que não é um equipamento para cobertura de área extensa.

TeleSíntese: Ou seja, seria para uso pontual? 

Di Constanzo: [No caso da cobertura rural] Não é uma solução para uso massivo, com a qual possamos atender massivamente a obrigação. Isso será feito majoritariamente com macrocélulas. Mas, para complementar alguns pontos de cobertura, um povoado, é possível colocar small cells.


TeleSíntese: 
Poderia falar, em volume, qual a expectativa de implementação de small cells este ano?

Di Constanzo: Esta é uma informação que consideramos valiosa e estratégica. Posso dizer que começamos a experimentação com volume razoável já no ano passado e, para 2014, será feito o roll out. Não estamos falando de testes, mas de milhares de unidades.

 

TeleSíntese: Os contratos já estão fechados?

Di Constanzo: Já fechamos alguns contratos com alguns parceiros e estamos em negociação com outros potenciais fornecedores, mas ainda estão em andamento e preferimos não abrir quais são.

 

TeleSíntese: Por que trabalhar com vários fornecedores?

Di Constanzo: Já na rede macrocelular estamos trabalhando com vários fornecedores e vamos continuar na modalidade multi-vendor. Isso está em linha com o conceito de garantir entrega de volume, diversificar e ganhar escala. O mesmo conceito que aplicamos na rede macrocelular.

 

TeleSíntese: Com a implementação do conceito e redes heterogêneas, o nível de complexidade da rede aumenta e sua gestão também. Como a TIM se prepara para enfrentar esse desafio?

Di Constanzo: Entre o final do ano passado, começo desse ano, contratamos uma solução de self-organized networks, para nos prepararmos para o deployment de redes heterogeneas, multi-camada, multi-frequência e muti-vendors. A gestão automática dessa complexidade é uma necessidade. Fechamos dois contratos, um com a Intucell, uma empresa Cisco, e outra de self-organized networks para autogestão da redes.

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