Dinheiro da venda da PT irá integralmente para a consolidação no Brasil, diz Bayard


O CEO da Oi, Bayard Gontijo, afirmou que os controladores estão analisando apenas as duas propostas – da Altice e dos fundos Apax e Bain – e que a oferta da angolana Isabel do Santos já foi descartada e os sócios portugueses são obrigados, por contrato, a votar em linha com os sócios nacionais. “Em nenhuma hipótese tomaremos empréstimo do mercado para participar da consolidação”, assegurou o executivo.

O CEO da Oi, Bayard Gontijo, afirmou hoje, durante a conferência para os analistas estrangeiros, que os controladores da Oi estão analisando as  duas propostas de compra da Portugal Telecom – feitas pela francesa Altice e pelos fundos de investimentos Apax Partners e Bain Capital (que ofereceram 7 bilhões de euros, ou R$ 22 bilhões). A proposta da angolana Isabel dos Santos pela holding Portugal Telecom SGPS já foi rejeitada pela companhia. Ele disse que a venda desses ativos será usada integralmente para financiar o processo de consolidação no Brasil. “Em nenhuma hipótese tomaremos empréstimo do mercado para participar da consolidação”, assegurou o executivo.

Segundo ele, as duas propostas estão sendo analisadas no sentido de se buscar o maior valor para os acionistas. Ele disse que a oferta da Terra Peregrin, empresa de Isabel do Santos, filha do presidente de Angola e sócia da PT, no valor de 1,2 bilhão, para metade das ações da SGPS, já foi descartada, e mesmo que algum acionista da operadora portuguesa aprove a oferta, ele terá que votar juntamente com os sócios brasileiros, conforme estabelece o acordo de acionistas da empresa. Em caso de a compra de ativos no Brasil não vingar – hipótese que ele considera remota – a Oi usará o dinheiro da venda de seus ativos para abater a dívida.

Direito de voto

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A expectativa da Oi é de em meados de dezembro conseguir dividir suas ações para o novo mercado. E Bayard afirmou, com veemência, que todos os sócios, inclusive aqueles que comprarem a Portugal Telecom SGS (a holding), mesmo que fiquem com 25,6% do capital da Oi, só terão direito de voto equivalente a 7,5% do capital da empresa. “Isso se aplica também a todos os acionistas atuais da Telemar Participações”, assegurou ele.

O executivo afirmou que a Oi ainda tem bala na agulha para angariar mais receitas. Deve concluir a venda da segunda parte das torres e antenas no final do ano, tem mais torres para vender no próximo ano, além dos ativos na África, que continuam a venda. Segundo ele, ainda há pelo menos mil torres a serem vendidas no próximo ano.

A prioridade de sua gestão, explicou, é reduzir custos. Ele anunciou um guidence para o próximo ano de a relação Ebitda/ Capex aumentar de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,8 bilhão, como esforço complementar da empresa. Isto significará na conta do Banco Itaú, um aumento de cash flow de 100%,. o que representa um esforço muito grande.  Bayard ressaltou no entanto, que os cortes nos custos trarão maiores efeitos a partir de 2016.

TIM

O executivo não quis comentar as declarações feitas ontem pelo presidente da TIM, Rodrigo Abreu, em Londres, de que o fatiamento de sua operadora “seria um absurdo”. E preferiu defender a consolidação no mercado brasileiro, argumentando que ampliará os investimentos e a qualidade do serviço.

Ele rechaçou ainda insinuações do mercado de que haveria ainda dívidas não reconhecidas pela Oi e não apresentadas no balanço. “O nosso balanço é transparente. Todas as provisões estão colocadas”, afirmou.

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