Desastres naturais: como as cidades estão reagindo
Com os desastres naturais se tornando mais frequentes e intensos no Brasil, cidades como Petrópolis, no Rio de Janeiro, mostram que investir em tecnologia, prevenção e conectividade pode salvar vidas.

Com eventos climáticos extremos se tornando cada vez mais frequentes e intensos, cresce também a urgência de se repensar como as cidades brasileiras podem se tornar mais resilientes e menos sujeitas a desastres naturais. Esse foi o foco de um dos painéis do Smart Cities Mundi 2025, evento sobre cidades digitais promovido pelo Tele.Síntese, que reuniu gestores públicos, especialistas em tecnologia, empresas de infraestrutura e representantes do terceiro setor para debater soluções concretas para que sistemas essenciais não parem de funcionar em momentos críticos. O painel foi moderado por Paulo Manoel Protásio, diretor-executivo da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável (ADS) do Governo do Estado do Rio de Janeiro
Um dos maiores destaques foi o caso de Petrópolis (RJ), município que sofre constantemente com tragédias causadas por chuvas intensas e deslizamentos. O prefeito da cidade Hingo Hammes enfatizou que o município vem adotando uma política robusta de prevenção. “Não conseguimos evitar os eventos climáticos, mas conseguimos preparar a população. Temos um plano de contingência e estamos formando uma cultura de resiliência”, afirmou.
De acordo com Hammes, ações como limpeza de rios, contenção de encostas e comunicação antecipada permitiram que, em abril deste ano, um evento climático intenso fosse enfrentado sem perdas humanas. Petrópolis investe 2% do seu orçamento em obras preventivas e está prestes a receber um novo radar Banda X, que permitirá identificar com maior antecedência áreas de risco até 2026.
O município também conta com um centro de controle que opera 24h dentro da Defesa Civil, liberando imagens ao público em caso de crise para facilitar a mobilidade segura da população.
O coronel Guilherme Costa de Souza Moraes, secretário da Defesa Civil de Petrópolis, detalhou como a cidade está constantemente em alerta — seja no verão com chuvas ou no inverno com secas e queimadas. “Temos uma rede automatizada de estações pluviométricas, planos de contingência sazonais e convênios com plataformas como o Waze, que bloqueiam vias automaticamente e oferecem rotas alternativas”, explicou.
A cidade criou “ilhas de segurança” e instalou cancelas automáticas para impedir o tráfego em áreas de inundação. Além disso, capacita motoristas de ônibus e agentes públicos para agir em conjunto com a população. Segundo o secretário, o grande desafio é conjugar a tecnologia com o fator humano: “A cidade inteligente só funciona se a ação for compreendida e apoiada pelo cidadão”.
Conectividade em momentos de crise
A conectividade foi outro eixo crucial do debate. Cristiano Alves, diretor comercial da TIP Brasil, apresentou a iniciativa Triton Help Link — um veículo adaptado em parceria com a Mitsubishi e a Nokia para levar internet via satélite a regiões isoladas durante desastres. “Esse carro é equipado com antena Starlink, Wi-Fi perimetral e banco de baterias para carregar celulares. É uma resposta direta à necessidade de comunicação em áreas sem sinal, como vimos em Lajeado (RS) após as enchentes de 2023.”
Além disso, a TIP também desenvolve projetos de IoT – internet das coisas, como o Tip Mídia, totens urbanos que combinam anúncios, sensores de nível de água e câmeras acessíveis pela Defesa Civil e pela população — permitindo alertas automáticos em caso de desastres naturais.
Já Rodrigo Rescia, diretor de engenharia da Vero, destacou o papel das operadoras no suporte à continuidade dos serviços essenciais. A empresa opera 77 mil km de fibra óptica em 426 cidades brasileiras e fornece conectividade para setores de saúde, educação, segurança e lazer. “É preciso antecipar riscos e garantir contingência. Não podemos colocar pontos de presença em zonas vulneráveis. Nossa meta é manter o serviço no ar, mesmo durante crises”, afirmou.
O painel também trouxe a perspectiva do planejamento urbano integrado com Mauricio Knoploch, diretor do Instituto Rio Metrópole (IRM). A instituição está desenvolvendo um sistema de monitoramento de desastres que integra dados da Região Metropolitana do Rio e pode ser compartilhado com municípios do estado. “Queremos consolidar essas informações para tornar as decisões mais ágeis e visíveis à população. Mas o desafio continua sendo convencer o cidadão a agir antes da tragédia.”
