Inpe quer mais indústria nacional no satélite da Visiona, a joint-venture entre Embraer e Telebras


Para Leonal Perondi, diretor do instituto, o projeto Satélite Geoestacionário de Defesa e de Comunicação (SGDC) é importante para o país, mas falta coordenação para aproveitar a capacitação de técnicos e da indústria nacional, obtida ao longo de 30 anos de desenvolvimento espacial.

O projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e de Comunicação (SGDC) é uma oportunidade para o crescimento do desenvolvimento da cadeia de valor aeroespacial do país, mas é preciso que os objetivos de absorção e transferência de tecnologia sejam alcançados e que tenha a participação da indústria do setor instalada no país. O entendimento é da maioria dos participantes da audiência pública realizada nesta terça-feira (18) no Senado, sobre o tema. Porém, não faltaram críticas ao modelo adotado de construção de satélite, que deixa de fora os fabricantes de componentes brasileiros.

Segundo o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espacial (Inpe), Leonel Perondi, o projeto é importante para o país, mas falta coordenação para aproveitar a capacitação de técnicos e da indústria nacional, obtida ao longo de 30 anos de desenvolvimento espacial. Ele afirma que os fabricantes, apesar de não terem condições de atender a necessidade de contratação de transponder ou de produtos orbitais, têm capacidade para contribuir com componentes para plataforma e para  suprimento de energia.

A pesquisadora do Ipea, Flávia Schmidt, afirma que é importante o reconhecimento e a inserção gradual da indústria instalada no país no projeto. Além disso, recomenda que a absorção e transferência da tecnologia da empresa francesa que fornecerá o satélite, sejam avaliadas constantemente, para verificar se os objetivos pretendidos estão sendo alcançados e se são adequados à indústria nacional. Durante a audiência, ela antecipou a pesquisa que o Ipea está realizando sobre fabricantes de produtos nacionais para indústria aeroespacial, que mostram alto grau de qualificação (42% dos funcionários com nível superior) e de inovação de 21%, muito acima das médias das empresas como um todo. A média nacional de empregados com níver superior é de 11%. Mas que enfrentam dificuldades por falta de contratos.

O presidente do Sindicato dos Servidores da Área de Tecnologia Aeroespacial, Ivanil Barbosa, entende que o modelo do projeto é equivocado e acusa a Visiona – empresa integradora do satélite criada em joint-venture da Telebras e Embraer – porque o conceito de integração não inclui as empresas que já funcionam no país. “Nem o projeto de Alcântara nem o SGDC podem ser considerados como parte da política aeroespacial brasileira”, avalia.

Tempo

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, disse que o modelo para construção do SGDC é a adequado à realidade atual da Política Aeroespacial Brasileira. “Os clientes impõem tempo para o desenvolvimento de um satélite e temos dificuldade de atender a essa necessidade específica”, afirmou. Ele disse que o conceito de empresa integradora é usado ainda hoje por grandes países, como a Rússia. Coelho vê no projeto uma oportunidade para o fortalecimento da indústria no Brasil.

O representante do Ministério da Defesa, coronel Anderson Alvarenga, por sua vez, afirmou que o satélite, que deverá ser lançado em setembro de 2016, e entrará em operação em janeiro de 2017,  é o primeiro objetivo de uma constelação de artefatos previstos no plano dos militares, que prevê três satélites geostacionários,  que acabará beneficiando toda a cadeia.

O presidente da Visiona, Eduardo Bonini, disse que o fortalecimento da indústria aeroespacial nacional se dará com a sequência de projetos para que a equipe que está sendo treinada na França possa aplicar esses conhecimentos. Para isso, entende que precisará haver mais investimentos, principalmente por parte do governo, que mundialmente é responsável por 80% da demanda.

Para o presidente da Telebras, Francisco Ziober Filho, a perenização de um programa como esse é difícil, mas é preciso ter em mente que existe uma cadeia de valor no país que precisa ser explorada. Ele lembrou que a rede de fibra óptica da estatal, que já chega a 21 mil km, foi construída com a maioria de equipamentos fabricados no país, principalmente no backbone. Ziober disse que, para isso, contou com a política de compras públicas, que dá preferência ao produto nacional.

O satélite geoestacionário, programado para estar em órbita terrestre em 2017, ampliará a cobertura das redes de dados nacionais, alcançando municípios que hoje têm dificuldade para acesso à telefonia e à internet, como parte do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Também deverá dificultar a interceptação de dados estratégicos, além de proporcionar demanda por tecnologia desenvolvida no país.

Anterior Objeto russo no espaço sideral intriga o Ocidente
Próximos Conselhos de Claro, Embratel e NET aprovam proposta de fusão