Cronograma de migração da TVRO coloca teles em lado oposto ao de Anatel e ISPs


A proposta de migração da TV aberta transmitida por satélite (TVRO) da Banda C para a banda Ku coloca em lados opostos as grandes operadoras, que vão pagar para a efetivação da política pública, Anatel e provedores regionais de internet.

Para Carlos Baigorri, conselheiro da Anatel responsável pela relatoria do edital do leilão 5G, há no mercado brasileiro empresas especializadas capazes de produzir, distribuir e instalar receptores e antenas Ku rapidamente.

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“Já existe esse parque de distribuição de antenas. A Claro é uma empresa com serviços de TV por satélite em escala nacional, a Sky, a Oi, que está à venda, mas existe o know how, existem antenistas e indústria capaz de produzir esses equipamentos”, disse o conselheiro. Ele participou do Seminário Políticas de Telecomunicações, realizado hoje, 22, pelo site Teletime e a Universidade de Brasília.

No entender de Baigorri, a constituição da EAF, a entidade que será responsável por distribuir e instalar os kits Ku, será rápida, uma vez que não há indefinições como as da época da digitalização da TV terrestre. Naquela ocasião, levou-se mais de um ano para a definição tecnológica dos kits que seriam entregues.

“Agora a gente não tem que definir se tem Ginga ou não, se tem porta USB, como aconteceu com a EAD. Os equipamentos são conhecidos e existem no mercado”, argumentou.

José Roberto Nogueira, CEO da operadora regional Brisanet, concorda. “Já fabriquei, já distribuí antenas parabólicas. No Brasil tem três fabricantes capazes de produzir 1,8 milhão de antenas por ano cada. E estamos falando de um compromisso no edital que vai demandar 2 milhões de kits por ano. E esse setor tem uma logística perfeita, qualquer fabricante ou distribuidor tem um representante em zona rural”, afirmou.

Lado de lá

Para as grandes operadoras móveis, Claro, TIM e Vivo, não é bem assim. As empresas acreditam que a constituição da EAF vai demorar, o que pode atrasar a implantação da 5G no país.

“Nos preocupa muito prazo exíguo considerado para construção de toda essa mecânica de migração da TVRO para a banda Ku. Participei também do Gired [grupo que orientou a digitalização da TV terrestre]. Foi um ano só para criar a entidade administradora, definir o board e as mecânicas de distribuição”, ressaltou Átila Branco, diretor de planejamento de rede da Vivo.

Oscar Petersen, vice-presidente de assuntos regulatórios e jurídicos da Claro, pensa igual. “A EAD tinha uma única missão: entregar 12 milhões de set-top boxes de TV terrestre em clusters, não era no Brasil inteiro. Demoramos quatro anos para fazer isso. Um ano só para negociar as caixinhas, conseguir regimes especiais nos estados. Isso vai se repetir aqui”, afirmou.

Para ele, a EAF, que fará a migração para a banda Ku, nascerá já sobrecarregada, pois também deverá cuidar do ressarcimento de operadoras de satélites, da construção de uma rede privativa do governo federal fixa e móvel e da construção de infraestrutura pelo projeto Norte Conectado, além da troca de equipamentos profissionais usados em banda C e instalar as antenas Ku.

Mario Girasole, vice-presidente de assuntos regulatórios e institucionais da TIM, endossou a observação de Petersen. “Uma coisa é distribuir set-top box. Outra coisa é distribuir, ir lá, instalar.

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