Crédito estudantil e educação financeira: como fintechs atuam na educação


 

Enquanto o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) sofre reduções no orçamento, cresce no país a atuação de fintechs com projetos de crédito estudantil, beneficiando alunos com a chance da educação de qualidade a preço acessível e apoiando escolas com capital para crescer e aprimorar.

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Há 20 anos intermediando o acesso de estudantes ao ensino superior, a Pravaler já beneficiou 250 mil alunos. O COO da fintech, Beto Dantas, conta que a confiança na relação com investidores é cada vez maior e há baixa taxa de inadimplência.

“Muito do trabalho que faz com que tenhamos uma inadimplência menor é a expertise que a gente cria nessas análises [de crédito]. Temos a preocupação de dar um crédito que a pessoa tem condições de pagar”, contou Dantas em painel do EdTechs e as Escolas Públicas, realizado pelo Tele.Síntese nesta sexta-feira, 5.

A iniciativa ajuda a dar o poder de escolha aos estudantes. “Hoje a gente tem uma dor enorme na educação, que o sonho do aluno, de repente, é fazer Medicina. Mas faz enfermagem pela disponibilidade financeira”, diz o COO.

Dantas explica que o resultado do trabalho impacta no risco de evasão. “Quando você faz uma análise para dar condições ao aluno de fazer aquele curso que ele sempre sonhou em cima de um critério de possibilidade de pagamento, a taxa de evasão junto às universidades fica baixíssima”, destaca.

Capital por meio de patrocínio

Fintechs proporcionam capital não só para quem estuda mas também para quem ensina, é o caso da Educbank. O fundador da iniciativa, Danilo Costa, explica que não se trata de empréstimo ou crédito.

“Todo capital que a gente injeta na escola, caso a gente não receba de volta, não cobramos da escola. E ela, muito menos, pode cobrar dos alunos. A gente não compra carteira e também não endivida a escola. É uma figura nova, uma forma de patrocínio”, explica Costa.

O fundador da Educbank reconhece que o modelo gera “um risco muito grande”, mas os resultados impressionam.

“Ano passado, que foi um dos piores anos da história para a indústria de educação básica no Brasil, a gente fechou com menos de 3% de inadimplência. São pessoas leais e fiéis”, afirma.

Mercado de Fintechs

Diego Perez, presidente da Associação Brasileira das Fintechs (ABFintechs), conta que as organizações precisam fazer uma captação financeira no mercado para poder emprestar recursos e os investidores estão interessados nesse retorno financeiro.

Perez detalha ainda que há o surgimento de novos modelos. “Há uma figura nova, que se chama SCD – Sociedade de Crédito Direto – regulado pelo Banco Central. São as fintechs de crédito multissetor, têm SCD do agro, rodoviário, câmbio e, agora, de crédito estudantil. Diferente de um banco, que abre contas correntes, poupanças e certificados de depósito para se adaptar, ela tem que fazer operação de mercado, tem que emitir uma debênture, estar em parceria com o fundo de direitos creditórios, para poder receber esse funding”, explica.

Além do empréstimo e patrocínio estudantil, há ainda iniciativas para complementar o ensino nas escolas. A Finkids oferece cursos de educação financeira para alunos e famílias de forma disruptiva, por meio de aplicativo e boardgame [jogo de tabuleiro].

“Trabalhamos como traduzir todo esse tipo de conteúdo que nunca foi simples. Trazemos pessoas da linha educacional, economia, psicopedagogos que sabem como funciona para que esse conteúdo seja mais facilmente digerido”, conta o CEO da Finkids, Lucas Silva.

O projeto contou com testes em 20 escolas e a equipe está finalizando um MVP [Minimum Viable Product]. A ideia é ampliar o conteúdo em breve. “Estamos olhando para área de programação e lógica. Podemos aplicar o modelo em outras frentes”, diz Silva.

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