Correio é serviço público, não privado, defende associação dos funcionários


Associação dos funcionários soltou comunicado questionando desejo de privatização do governo

 

Um comunicado da Adcap (Associação dos Profissionais dos Correios) acirrou, nesta sexta, 16, a questão em torno da privatização (ou não) dos correios. O manifesto engrossa o movimento que diz que trata-se de serviço público, não privado, e reforça o caráter inconstitucional da proposta do governo.  

“É importante registrar que o serviço postal é serviço público por natureza, a ponto de estar expressamente previsto como tal na Constituição. Não se trata, portanto, de exploração de atividade econômica”, diz o comunicado, assinado pela diretoria da Adcap.

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O manifesto coloca “a sociedade” como principal afetado pela possível privatização. “Nos 20 maiores países do mundo em extensão territorial, não há um único correio privado, enfatizando a questão de que o atendimento postal em grandes territórios traz desafios que precisam ser enfrentados com ótica distinta da exploração comercial pura e simples. Lembremos que o Brasil é o 5º maior país do mundo”, escrevem os diretores da associação.

“O caso de Portugal, que privatizou seu correio há alguns anos e que, desde então, tem a população reclamando sistematicamente de aumento de preços e de piora na qualidade do atendimento, deveria servir de alerta aos brasileiros, pois se isso acontece num país com as dimensões de Santa Catarina o que poderá acontecer nos rincões brasileiros?”, questionam.

Ideologia

De acordo com a entidade, não há motivos para transformar o serviço em operação privada, exceto “fazer isso por fazer”.

“Quando houve a privatização das teles, os principais argumentos utilizados estavam centrados em duas questões: a falta de acesso à telefonia e o alto preço do serviço. Na ocasião, faltavam mesmo telefones no mercado e as linhas eram bem caras, a ponto de serem contabilizadas como patrimônio nas declarações de imposto de renda. Pois bem, no caso do serviço postal o que temos no Brasil é exatamente o contrário: um serviço abrangente e acessível, com agências esparramadas pelo país todo, e uma das menores tarifas postais do mundo, apesar das dimensões continentais do país”, comparam.

“Tudo isso oferecido aos cidadãos e às empresas brasileiras sem depender de subvenções do Tesouro Nacional. A teimosia do governo federal em insistir, portanto, com o projeto de privatização dos Correios só se justifica por razões meramente ideológicas. Quer fazer porque quer fazer. E quem vai ser prejudicado se esse projeto for avante serão os brasileiros, que terão, depois, que ir às ruas, como fazem agora os portugueses, para pedir a reestatização de seu correio”, prevê a diretoria da Adcap.

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