Constelação da Telesat vai atender operadoras e mercado corporativo


A operadora de satélites Telesat vai lançar até o final de 2024 uma rede com 298 satélites de baixa órbita. Estes vão cobrir o mundo e entregar capacidade total acima de 1 terabit por segundo. Mas diferente de outras empresas com projetos de constelação LEO, este não vai mirar o consumidor final.

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Conforme explicou Mauro Wajnberg, country manager da Telesat no Brasil, a meta é reinar no B2B: “Nosso foco é o mercado corporativo, trabalhando com as telcos, provedores de serviço, mercado aeronáutico, mercado marítimo”. Ele participou nesta sexta-feira, 16, de live realizada pelo Tele.Síntese.

Ele ressaltou que a empresa atende os requisitos da Anatel, que seguirá padronização internacional no novo regulamento de satélites e dará prioridade de uso de frequências por ordem de chegada. A operadora foi uma das primeiras a pedir autorização para usar a banda Ka nos satélites LEO, e tem um satélite operando na faixa e com a característica de baixa órbita, a fim de garantir o direito por ordem de chegada.

Investimento estratégico

A opção pelos satélites LEO se baseia na percepção de que a demanda por capacidade vai crescer, assim como a exigência de aplicações com baixa latência. Os satélites geoestacionários não conseguem atender a ambas, diferentemente das constelações.

“A escala que a constelação proporciona permite a redução drástica de custo por gigabit”, afirmou. Posição diferente da Viasat, por exemplo, que aposta na evolução dos satélites geoestacionários. Conforme Wajnberg, com o uso das tecnologias de enlace óptico intersatélite, beamhoping, e das empresas lançadoras, o custo de criar uma constelação baixou a ponto de ser uma alternativa aos artefatos geoestacionários de altíssima capacidade.

Ao mesmo tempo, o broadcast de vídeo está migrando para o streaming, que responde melhor em conexões de alta capacidade e baixa latência semelhante à fibra das redes LEO, defendeu.

Falha do leilão 5G

Por ter o foco no B2B, a Telesat se opõe aos termos apresentados na minuta do edital do leilão 5G, que será realizado pela Anatel este ano. Wajnberg questiona a especificação da tecnologia que deverá ser usada no backhaul das redes móveis brasileiras.

“O edital diz que o compromisso de construção de backhaul tem que ser atendido com fibra. Por que limitar a tecnologia? Para o usuário final, isso é indiferente. O que interessa é cumprir requisitos e que vença a tecnologia com melhores requisitos. Tecnologia evolui. Não vejo onde o país ganha em fixar tecnologia para backhaul”, concluiu.

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