Concorrência acirrada derruba receita das teles em 2016


Em 2016,  a atividade de telecomunicações perdeu uma posição, deixando de ser a maior em geração de receita (18,9%) passando para a segunda posição (10,9%) entre as 34 analisadas. Essa perda de oito pontos percentuais foi a maior dentre as atividades investigadas na Pesquisa Anual de Serviços (PAS), divulgada nesta sexta-feira (24) pelo IBGE. O levantamento vem sendo realizado desde 2007, quando o setor de informação e comunicação liderava em diversas frentes.

Segundo o instituto, a despeito da constante inovação nos serviços prestados, a concorrência entre as empresas de telecomunicações tem sido um freio para reajuste de preços. “Essa perda de participação na receita tem caráter estrutural, pois, a cada ano da série, a atividade vem reduzindo sua representação”, ressalta o IBGE. Em 2016, pela primeira vez desde do início da série, em 2007, a atividade de telecomunicações deixou de liderar o ranking de receita das atividades de serviços.

O IBGE também constatou que houve uma mudança nos serviços de telecomunicações investigados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a partir de 2012. Entre junho de 2006 e dezembro de 2011 eram quatro os serviços de telecomunicações no IPCA: telefone fixo, telefone público, telefone celular e acesso à internet. A partir de janeiro de 2012, foram incluídos mais dois serviços: telefone com internet (pacote) e TV por assinatura com internet. A inflação acumulada dos serviços de telecomunicações foi 7,6%, entre 2007 e 2011, e 7,7%, entre 2012 e 2016. O índice geral de preços do IPCA foi 30,2%, no acumulado de 2007 a 2011, e 44,4%, no acumulado de 2012 a 2016.

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De acordo com a pesquisa, em 2016, o setor de serviços  como um todo tinha 1,3 milhão de empresas, que geraram R$ 1,5 trilhão de receita operacional líquida e R$ 871,7 bilhões de valor adicionado bruto. O setor empregava 12,3 milhões de pessoas, que receberam R$ 327,0 bilhões de salários, retiradas e outras remunerações. A média de ocupação do setor de serviços foi de nove pessoas por empresa. O salário médio mensal ficou em R$ 2.048.

Os dados mostram que os serviços de informação e comunicação perderam duas posições no ordenamento de receita, passando da primeira para a terceira posição. Os serviços de informação geraram 22,5% da receita do setor de serviços, em 2016, contra 31,3%, em 2007, sendo esse, o segmento que apresentou a perda mais expressiva de receita dentre os sete segmentos dos serviços não financeiros.

O IBGE apontou que os serviços profissionais, administrativos e complementares passaram da terceira para a segunda posição, tendo sua participação na receita aumentada de 23%, em 2007, para 27,8%, em 2016. Esses três segmentos, em conjunto, representavam 83% da receita dos serviços em 2007, proporção que caiu para 78,6% em 2016.

Foi constatada, também, mudança na estrutura do número de empresas do setor de serviços por segmento. Em 2016, a maioria das empresas, tinha como principal atividade, os serviços profissionais, administrativos e complementares (32,1% do total), seguido pelos serviços prestados principalmente às famílias (30%). Já em 2007, as posições eram invertidas: os serviços prestados principalmente às famílias respondiam pela maior parcela do total de empresas (32,6%), enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares encontravam-se na segunda posição, respondendo por 29,5% do total.

No que diz respeito ao valor adicionado bruto; salários, retiradas e outras remunerações; e pessoal ocupado: não se observaram alterações nas participações no período, permanecendo os serviços profissionais, administrativos e complementares como o segmento de maior participação em todas as variáveis. Os serviços de informação e comunicação, que em 2007 ocupava a primeira colocação (27,2%), passou para a terceira posição em 2015 (19,2%) mantendo essa posição em 2016 (19,3%).

A média de pessoal ocupado nas empresas de informação e comunicação se manteve, em média, em 10 funcionários. O salário médio mensal ficou em R$ 4,1 mil em 2016 ante R$ 3,8 mil apurados em 2007. Nesse ponto, o setor manteve a liderança.

Concentração

A pesquisa anual de serviços revela ainda que o setor continua concentrado, embora em menor nível. Para analisar a concentração de mercado, que é uma medida importante para a atividade econômica, O IBGE utilizou a razão de concentração de ordem 12 (R12), que consiste na proporção da soma da receita líquida das 12 maiores empresas no total da receita do setor. Quando o R12 é maior que 75% indica que a estrutura do mercado é muito concentrada; entre 50% e 75% o mercado é considerado concentrado; entre 25% e 50% o mercado é avaliado pouco concentrado; e abaixo de 25% caracteriza um mercado desconcentrado.

A estrutura de mercado do setor de serviços no Brasil, em 2007 e 2016, pelos critérios acima, foi considerada desconcentrada, e o R12 diminuiu no período em questão. Em 2007, as 12 maiores empresas de serviços responderam por 18,9% da receita operacional líquida do setor, reduzindo para 12,3%, em 2016. No período analisado, apenas o segmento de serviços de informação e comunicação não exibiu uma estrutura de mercado desconcentrada.

Em 2007, as 12 maiores empresas dos serviços de informação representavam 54,0% da receita do segmento, caracterizando um setor concentrado. Em 2016, a razão de concentração diminuiu para 44,7%, e a estrutura do segmento passou a ser pouco concentrada. A queda no R12 dos serviços de informação, entre 2007 e 2016, foi a maior dentre os sete segmentos analisados na pesquisa. Com exceção de outras atividades de serviços e das atividades imobiliárias, foi observada uma diminuição da concentração de mercado em todos os segmentos analisados pela PAS, desde 2007.

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