Com o anúncio, Oi tenta impedir venda da GVT para a Telecom Italia


Se amanhã o conselho de administração da francesa Vivendi decidir aceitar a proposta de venda da GVT feita pela Telecom Italia, o anúncio da Oi, nesta madrugada (27) à CVM, deixa de ter qualquer efeito prático. A intenção da operadora brasileira ao contratar o BTG Pactual para estudar a viabilidade de comprar a participação da Telecom Italia na TIM, ventilada desde o ano passado, foi acelerada pelo movimento da Telecom Italia em relação à GVT e mesmo da Telefónica em direção ao seu fortalecimento no mercado brasileiro. De acordo com fontes da Oi, a operadora precisa se consolidar e não poderia perder o timing.

O projeto preliminar desenhado pela operadora, que indicou suas possibilidades na compra da TIM, prevê que ela possa ficar com parte significativa da rede da operadora controlada pela Telecom Italia. Segundo essas avaliações, em determinadas regiões haveria efetivo problema de concentração excessiva do mercado, como é o caso do Nordeste, onde a Oi é líder. Nas demais regiões, indicam as análises preliminares, os problemas seriam mais pontuais, pois a Oi é a quarta colocada no ranking na telefonia móvel.

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Todo o movimento, no entanto, mesmo que a oferta venha a ser aceita pela Telecom Italia, depende da aprovação da Anatel e do Cade, que podem colocar obstáculos às pretensões da Oi. A modelagem simulada pela operadora indica, porém, que os obstáculos podem ser superados, com “a venda”, a terceiros, das áreas onde houver superposição entre as redes móveis da Oi e da TIM. Por isso, a compra da TIM pela Oi interessa também à Telefónica e à Telmex, controladora da Claro, Embratel e Net, que poderiam fortalecer suas operações móveis por meio da aquisição de partes da rede da TIM.

De onde vem o dinheiro
O resta saber é como a Oi, com o elevado endividamento de R$ 45, 5 bilhões, vai encontrar recursos no mercado para comprar a TIM. Analistas de mercado entendem que isso só poderá ser feito se a proposta da Oi for comprar a TIM já fatiada, situação em que o desembolso seria bem menor. Na avaliação dos bancos, o valor de mercado da subsidiária brasileira da operadora italiana chegaria a US$ 15 bilhões.

Para fontes da operadora, este raciocínio não leva em conta que a empresa terá suas ações pulverizadas no mercado tão logo conclua a fusão com a PT e consolide a CorpCo. “Se o projeto se mostrar interessante ao mercado, os acionistas se apresentarão. Dinheiro não será problema”, raciocina um executivo.

Embora a Oi apresente o seu movimento como de legítima defesa da consolidação da empresa, é certo que seu interesse pela TIM, quando começou a se desenhar, no ano passado, foi compartilhado com Telefónica e América Móvil. Muitos dizem que a Oi foi colocada à frente das negociações por estímulo da Telefónica, que entendia ser mais fácil o negócio ser aceito pelos reguladores brasileiros se conduzido pela maior concessionária do país (está presente em todo o território nacional, à exceção de São Paulo e de algumas cidades do Triângulo Mineiro e Goiás). Seu sucesso interessa não só aos controladores, mas também ao governo. Se tropeçar, estará criado um enorme problema para o modelo de concessão no setor de telecomunicações e para quem estiver no comando do governo federal.

As mesmas fontes da Oi, no entanto, informam que a principal interessada na compra da TIM é ela mesma, por ser a quarta entrante na telefonia móvel e a última no ranking. Seu futuro ficará comprometido se não se fortalecer no serviço móvel, tendo em vista o inexorável declínio da telefonia fixa.

Efeitos possíveis
O anúncio da Oi, a dois dias de a Vivendi analisar as ofertas feitas à GVT pela Telefónica, de um lado, e pela Telecom Italia, de outro, pode ser um argumento a forçar o pêndulo da negociação a favor da Telefónica. A esta, o ativo lhe interessa muito, pois lhe dá uma rede moderna de fibra óptica em várias cidades importantes do país, levando sua atuação no mercado corporativo e mesmo residencial muito além do estado de São Paulo, aonde está confinada nesses serviços. Amplia também sua base de assinantes de TV paga e fortalece sua competitividade frente ao grupo América Móvil, hoje líder no país em banda larga.

Mesmo que na reunião do conselho de administração da Vivendi amanhã, na França, o martelo não seja batido a favor da proposta da Telefónica, que deverá chegar a 8 bilhões de euros contra os 7 bilhões oferecidos pela Telecom Italia, a anúncio da Oi seria suficiente para embaralhar o meio de campo e adiar a decisão.

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