CES 2016: Fabricantes de chips apostam nos carros e nas coisas


A feira Consumer Electronics Show (CES), que acontece nesta semana em Las Vegas, nos Estados Unidos, deixa claro o grande interesse dos fabricantes de chips em atender dois mercados ainda nascentes: o dos automóveis conectados ou autônomos e o da internet das coisas.

A Qualcomm lançou no evento um processador para carros. O chipset, da família Snapdragon, usada em smartphones, leva o nome de 820A – o “A” vem de “automotive”. O componente tem, segundo a empresa, alta capacidade de processamento, inclusive de recursos multimídia, e foi pensado para equipar os sistemas de “infotainment” de veículos conectados. O produto também traz, integrado, um modem LTE com capacidade de downlink de 600 Mbps e de uplink de 150 Mbps. Além do LTE, tem WiFi, transformando o carro em um hotspot.

Durante a Futurecom 2015, a empresa demonstrara tecnologias de carro conectado. Os executivos da empresa ressaltaram que, já em 2016, não haverá carro circulando no mundo sem ao menos um chip. O chipset de 64 bits é feito com a tecnologia de 14 nanômetros FinFET, traz embarcado um processador gráfico Adreno 530. Tem, ainda, um chip, chamado Zeroth, pensado para os veículos autônomos, capaz de aprender – o que permitiria um carro automatizado dirigir melhor conforme o uso. O Snapdragon 820A poderá receber upgrades de hardware e software. No último caso, via rede das operadoras, automaticamente.

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A Qualcomm lançou, também, o Snapdragon X5, um modem 4G de baixo custo idealizado para equipar dispositivos de internet das coisas. O modem é capaz de realizar transmissão de dados de 150 Mbps, tanto em redes FDD quanto TDD LTE, DC-HSPA, GSM, TD-SCDMA e CDMA2000/1x. Traz um CPU ARM Cortex A7 embarcado, de 1,2 GHz e roda aplicações Linux.

Ainda na seara da internet das coisas (composta pelos tráfego de dados dos objetos conectados à web), a fabricante de chips lançou uma plataforma de conectividade doméstica, para ligar entre si os dispositivos de uma casa. A Smartphone Home Reference Platform se baseia no processador Snapdragon 212, de baixo custo, lançado ano passado. O sistema reúne tecnologias de reconhecimento de voz, e integra computação, áudio, vídeo, câmeras, redes e capacidade de controle centralizado. A proposta da plataforma é facilitar o desenvolvimento de produtos por parte das OEMs, fabricantes de eletrodomésticos, que queiram investir na criação de produtos de internet das coisas.

Protótipos serão distribuídos a desenvolvedores neste começo de ano, mas a Qualcomm não dá qualquer previsão de chegada de produtos às lojas com as novas tecnologias.

nVidia

Imagem ilustra sensores administrados pelo novo computador para carros da nVidia em ação (Imagem: Divulgação nVidia)
Imagem ilustra sensores administrados pelo novo computador para carros da nVidia em ação (Imagem: Divulgação nVidia)

A taiwanesa, famosa pelos chips de processamento gráfico, lançou na CES um computador para carros autônomos. O Drive PX2 tem alta capacidade de processamento, mas seu maior diferencial é a inteligência artificial. O componente é capaz de aprender ao longo do tempo. O computador usa dois processadores Tegra, o mais sofisticado da empresa, e duas aceleradoras gráficas.

Comparando-se à concorrência, a nVidia diz que seu computador é mais capaz de aprender como lidar em situações de visibilidade comprometida nas ruas ou estradas, como em meio a chuva, neve e neblina. Pode até vir a entender um policial orientando o tráfego em uma via. O aparelho processa a entrada de imagem de até 12 câmeras de vídeo, sensores,  radares e ultrassom.

Mediatek
Outra fabricante taiwanesa foi pelo mesmo caminho. Anunciou durante a feira o MT7697, chipset com conectividade Bluetooth e WiFi para equipar aparelhos domésticos e vestíveis. Segundo a empresa, ele consome uma fração da energia dos chipsets anteriores usados para a mesma finalidade. A promessa da empresa é de que aparelhos com o componente cheguem ao mercado até o final de junho.

A companhia também anunciou o MT2523, um chipset feito especificamente para smartwatches. Ele traz, além de processador e conectividade Bluetooth, um GPS embutido. O que, segundo a empresa, faz dele único na categoria. Segundo a empresa, o componente é 41% que similares concorrentes, e seu baixo uso de energia permitiria que um relógio inteligente equipado com ele funcionasse ao menos uma semana a mais com as baterias atuais.

Intel

 

O atleta Craig Alexander demonstra óculos desenvolvido por Intel e Oakley durante a CES 2016 (Foto: Divulgação Intel / Bob Riha Jr.)
O atleta Craig Alexander demonstra óculos desenvolvido por Intel e Oakley durante a CES 2016 (Foto: Divulgação Intel / Bob Riha Jr.)Intel

A gigante dos processadores para computadores pessoais também mostrou comprometimento com a internet das coisas. Anunciou ontem uma série de parcerias com empresas esportivas para o desenvolvimento de novas tecnologias. O CEO da companhia, Brian Krzanich anunciou parcerias com ESPN e Red Bull Media House, New Balance e Oakley para desenvolver tecnologias esportivas, voltadas tanto para atletas quanto para o esportista amador.

Os equipamentos, baseados na plataforma de IoT da Intel, chamada Curie, poderão ser de pranchas de snowboard a óculos inteligentes. O Curie custará menos de US$ 10. Com a New Balance, por exemplo, o projeto prevê lançamento de palmilhas fabricadas por impressão 3D, e um relógio inteligente, até o Natal de 2016. Com a Oakley, os óculos teriam a função de um treinador pessoal para corredores, ciclistas e ginastas, exibindo análises em tempo real das atividades. A fabricante também anunciou a tecnologia RealSense, de sensores e software de análise de imagens que, entre outros usos, seria usada para evitar colisão em dispositivos autônomos, como drones.

A empresa anunciou, ainda, que conseguira atingir a meta, estabelecida sete anos atrás, de deixar de comprar de fornecedores localizados em áreas de conflito, especialmente da República Democrática do Congo. Conforme comunicado da empresa, as compras de minerais usados nos componentes eletrônicos financiam os conflitos, e o compromisso de evitar esses fornecedores seria uma contribuição à solução das disputas locais. A empresa justificou a decisão, também, com uma pesquisa que mostrou interesse do consumidor em comprar produtos “conflict-free”.

 

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