CEO do Youtube vê cenário regulatório “mais complicado” em 2021


A CEO do Youtube, Susan Wojcicki, publicou carta nesta terça-feira, 26, na qual traça as prioridades da plataforma de vídeos para 2021. Afirma, entre outros pontos, que o ambiente regulatório para a plataforma está ficando mais complicado. Diz que trabalha com diferentes governos para a elaboração de leis sobre serviços digitais e que neste ano a ordem é manter a estratégia de aproximação de deputados e senadores.

“Iremos manter a parceria com os legisladores em questões que impactam nossos negócios e a força de trabalho, como imigração, educação, infraestrutura e cuidados com a saúde”, conta. Segundo ela, o Youtube trabalha em parceria com autoridades para evitar a propagação de conteúdo sobre “extremismo violento e operações coordenadas de influência na nossa plataforma”.

Impasse nos EUA

Ela defende, por exemplo, a atual regulamentação dos Estados Unidos e manutenção da seção 230 da Lei de Comunicações local. A seção diz que nenhum provedor ou usuário de computador deve ser tratado como responsável ou autor de informações fornecidas por terceiros.

Manter este texto inalterado “nos permite manter o YouTube aberto e oferecer uma grande quantidade de conteúdo na internet e também tomar as atitudes necessárias para proteger nossa plataforma”, diz a CEO.

Para ela, há um impasse ideológico quanto à alteração da seção 230. “Ambos os lados do espectro político estão interessados em modificar isso, mas há uma falta de consenso sobre o que deve ser feito devido às visões totalmente opostas do problema. Alguns dizem que muitos conteúdos ainda continuam disponíveis nas plataformas, outros dizem que muitos são removidos”, resume na carta.

O Youtube, assim como Twitter, Facebook e outros serviços digitais, vem recebendo críticas nas últimas semanas em função da retirada do ar de conteúdo político, inclusive do ex-presidente do Estados Unidos Donaldo Trump.

Direitos autorais

No momento, ela cita progresso nas discussões com legisladores europeus, em torno da questão de direitos autorais. A proposta original previa que o Youtube fosse sancionado caso seus usuários infringissem as leis de propriedade intelectual. Ainda em 2020, um movimento organizado de criadores de conteúdo pressionou para que a proposta fosse alterada. Segundo Wojcicki, funcionou e houve melhoras no texto, mas é preciso mais.

“Embora ainda haja áreas de preocupação e a linguagem não seja final, estamos trabalhando junto com legisladores à medida que os países europeus transformam a legislação em leis nacionais”, diz a executiva.

Mais dados pessoais

Wojcicki avisa que o Youtube vai coletar mais dados pessoais dos produtores de conteúdo que usam a plataforma. Agora eles poderão informar sexo, orientação sexual, raça e etnia. A empresa diz que isso não é obrigatório. E alega que com esses dados poderá identificar falhas nos algoritmos de monetização.

“Ao coletarmos esses dados, poderemos analisar melhor como o conteúdo de diferentes comunidades é representado nos nossos mecanismos de pesquisa e descoberta e monetização”, afirma.

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