CDN ganha atenção das operadoras, que investem em soluções e avançam para oferta a OTTs


As operadoras de telecomunicações avançam na oferta de serviços Over-The-Top – incluindo uma aposta grande em vídeo sob demanda (VOD) como complemento à oferta de TV paga. Esse movimento ocorre ao mesmo tempo em que que cresce o consumo de banda larga, há previsão de explosão do consumo de vídeo online e é cada vez maior o nível de exigência dos clientes quanto ao tempo de disponibilização do conteúdo nas telas. Assim, para garantir uma boa experiência do usuário, praticamente todas as operadoras estão buscando soluções que aumentem a velocidade de entrega, como Rede de Distribuição de Conteúdo (CDN, na sigla em inglês), que, basicamente, salva o conteúdo estático em local mais próximo do usuário (cache) e, em alguns casos, pode definir melhor caminho para os dados trafegarem na rede.

A NET mantém negociações com a Huawei, que já atende a Embratel, ambas do grupo América Móvil. A TIM avança em conversas com a Cisco. O cenário é bom para os fornecedores, apontam eles, até porque há evoluções a serem feitas para atender especificamente o tráfego de vídeo, no caso das empresas que já compraram a solução. “O mercado está muito aquecido. Acontece que hoje nenhuma empresa pode ficar sem CDN se quiser prestar serviços de vídeo com qualidade. Da nossa parte, estamos acompanhando de perto a evolução do mercado, uma vez que queremos ser líderes em vídeo”, afirmou o presidente da Cisco para o Brasil, Rodrigo Dienstman, ao TeleSíntese.

Renato Rezende, responsável pela área de Digital Marketplace Solutions da Ericsson na América Latina e Caribe está otimista com os pilotos que a fornecedora vem realizando na região. “Há uma operadora negociando com a Ericsson, estamos fechando o processo de licitação. Esse é um mercado em que podemos esperar muita coisa acontecer”, afirmou. Rezende frisa que a especialização da Ericsson em redes móveis é o diferencial que se destaca entre os compradores.

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A Level 3, por sua vez, aposta em sua conexão nos Pontos de Troca de Tráfego para oferecer o serviço – totalmente desenvolvido internamente – para ganhar clientes. “Como temos relações de interconexão, troca de tráfego com principais players, não temos necessidade de colocar servidor na operadora para prestação do serviço. Colocamos o servidor próximo ao PTT, o que nos dá autonomia para crescer”, afirma Christiane Nicoletti, especialista em marketing de produtos da Level 3 Brasil. A companhia iniciou a oferta de CDN na América Latina em agosto de 2012, quando divulgou uma expectativa de alcançar US$ 80 milhões em receita, ao final de 2016, apenas com contratos locais.

A empresa brasileira CDNBR estima que 1,2 milhão de websites utilizam a tecnologia de entrega de conteúdo e a estimativa é que o tráfego de dados que passa por um sistema CDN cresça 400% até 2015.

Operadoras consideram CDN para garantir share of wallet com grandes OTTs
Em um contexto em que as operadoras reclamam que o grande valor extraído da internet fica com as empresas que operam na camada de conteúdo, enquanto a elas cabe o ônus de investimento em infraestrutura, o CDN aparece como uma possibilidade de equalizar, em parte, essa conta.

No mundo, algumas teles começam a considerar a prestação do serviço para empresas de locadora de vídeo online, como a Netflix, por exemplo. Aqui no Brasil, a Telefónica conta, desde janeiro, com o serviço de CDN para terceiros, mas, questionada pelo TeleSíntese, informou que prefere, neste momento, não falar sobre o assunto. 

A TIM Fiber, que está prestes a anunciar parcerias com locadoras virtuais para oferta por sua rede FTTx, também está avaliando essa possibilidade, conforme explicou o presidente da companhia, Rogério Takanayagi. O modelo prevê o compartilhamento de receitas, sendo que a operadora garantiria a qualidade do tráfego na rede.

Esta modelagem ainda é incipiente no mundo, mas a movimentação da Akamai, uma das maiores provedoras independentes (que não tem rede) de CDN, de buscar parcerias com operadoras, pode indicar que este formato tem muito a crescer. A empresa norte-americana já mantém contrato com a Orange e com uma tele da República Tcheca.

“Temos estrutura pronta e estamos oferecendo às telcos. Assim, em vez de elas desevolverem toda a tecnologia, maquinário, nós fazemos isso e elas vendem com a própria marca e força de vendas. Estamos incentivando as telcos para serem canais”, explica Jonas Silva, diretor da Akamai para a América Latina. Para ele, a oferta faz sentido uma vez que a operadora não teria a mesma capacidade de desenvolvimento das solução para otimização da entrega de conteúdo ou de segurança.

Para Rezende, da Ericsson, a oferta de CDN é algo apenas para as grandes operadoras, uma vez que as grandes empresas de internet vem, há anos, instalando seus servidores nas redes das telcos para garantir a aceleração de seus conteúdos, de forma que não precisam arcar com os custos. “O Google vai para uma Claro no Caribe, operação pequena, e coloca um Google box na entrada da rede e garante o cache de conteúdo estático. Ainda tem as CDNs independentes, empresas que colocam a caixinha e comercializam os serviços para os sites de conteúdo. Por isso, há uma certa acomodação”.

No caso das grandes operadoras, porém, a situação é diferente, avalia o executivo. Em primeiro lugar porque elas precisam atender clientes em regiões remotas onde, talvez, uma provedora de CDN ou o Google não tenham interesse de chegar. Além disso, o fato dos servidores das provedoras de serviços de CDN estarem instalados em sua rede, sem que tenham controle, começa a incomodar. “Elas estão perdendo a inteligência da rede, o controle do que está acontecendo e isso significa perder oportunidades. Poderiam utilizar um BI [Business Intelligence] e monetizar esse tipo de coisa de forma diferente, com advertising. Há um movimento acontecendo e elas começam a abrir os olhos”, diz.

No mundo, algumas movimentações neste sentido começam a aparecer. Em setembro de 2012, a russa Rostelecom, com solução Ericsson, implementou uma rede CDN com servidores de conteúdo em 30 cidades, conectados a uma rede de 1 Tbps. Já em setembro deste ano, em Taiwan, a HiNet (do grupo Chunghwa Telecom) anunciou um acordo com a EdgeCast para oferta de CDN. A primeira entra com a infraestrutura de hardware e rede, a segunda com os softwares. O foco é a venda para os clientes corporativos da EdgeCast.

 

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