Cai o número de hotspots no Brasil


A partir de maio de 2013, a Anatel começou a divulgar o número de antenas WiFi instalados pelas operadoras de telecomunicações no território brasileiro. Os dados da agência não acompanham as iniciativas das prefeituras nem os programas de inclusão digital dos governos estaduais ou federal. Mas pelo menos dá uma ideia de como está se comportando a infraestrutura da banda larga das operadoras de telecomunicações – grandes e pequenas. E o número de antenas WiFi – que ajuda a desocupar a rede de dados do celular, melhorando a qualidade do serviço – ainda é pequeno, concentrado e, o que é pior, vem caindo.


Conforme os dados da agência, existem hoje no Brasil 22.973 antenas de WiFi, contra 24.154 de maio deste ano. A forte queda no número de antenas se deu na única empresa independente das grandes teles, que tinha um importante foot print de hotspots, com mais de 1,5 mil antenas: a Linktel. No mês de julho a Linktel aparece apenas com 101 antenas em seu nome no site da Anatel. A hipótese mais provável é que a única empresa ainda independente (a Vex, que também tinha uma rede própria importante foi comprada pela Oi) tenha sido comprada por uma grande operadora, e a sua rede ainda não tenha sido assimilada pelo comprador, já que não houve crescimento de rede nas outras operadoras na mesma proporção de sua queda.

A LinkTel informava em maio que possuía 1,640 mil antenas WiFi.  O crescimento mais significativo entre os números anunciados pela agência pela primeira vez e os referentes ao  mês de julho, divulgados agora, foi o da TIM, que saiu de 84 hotspots para 180. A Vivo  apresentou uma ligeira queda, saindo de 175 antenas para 156 atuais. A Oi, que definiu estratégia corporativa de apostar na rede WiFi para cativar os seus clientes heavy users de dados, dispara neste segmento, com 18,860 mil antenas, considerando-se a rede Fon.

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A Net é a empresa do grupo América Móvil (que conta ainda com a Claro e a Embratel) que concentra as instalações de hotspots e também está com postura agressiva, já somando 3,503 mil antenas, tornando-se  a segunda maior operadora com esta infraestrutura.


Concentração


Os hotspots públicos, quem traz a informação é o site Teleco, com base no IBGE e a pesquisa sobre o perfil dos municípios brasileiros de 2012 e no site JiWire, que, segundo o Teleco, é a única fonte pública disponível para essas informações.

Pois os números demonstram, também neste caso, o grande grau de concentração do serviço. Conforme o Teleco, apenas 14% dos municípios brasileiros têm alguma forma de conexão WiFi.  E metade das grandes metrópoles, com mais de 500 mil habitantes têm algum tipo de conexão WiFi. Mas  municípios com 5 a 10 mil habitantes são os que apresentam as menores taxas, com apenas 8,9% deles com algum tipo de conexão pública.


Com base no site JiWire, o Teleco informa ainda que, do total de 4,221 mil hotspots existentes, 3,634 mil estão concentrados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, e no Distrito Federal. As restantes 587 antenas espalham-se pelas demais unidades da Federação.
Mais espectro
Enquanto isto, na Europa, recente estudo concluído pela Comissão Europeia constatou que o usuário europeu de celular usa cada vez mais este serviço em seu acesso à internet. Conforme o estudo, 71% de todo o tráfego de dados entregue em 2012 nos smartphones e tablets se deu através do uso das redes WiFi. A estimativa é de que este percentual aumente para 78% em 2016. O usuário europeu e norte-americano  já se acostumou a desligar sua rede de pacotes de 3G ou de 4G, pelo qual paga um montante mensal por consumo, e a navegar na internet, consuotar e-mail e seus endereços prediletos pelo hotspot que estiver ali, disponível, no momento. No Brasil, até pela pouca oferta, esta experiência ainda é muito pequena.
Na Europa, o WiFi faz tanto sucesso que os reguladores decidiram buscar novas frequências não licenciadas para acolher o serviço. Está recomendando as faixas de 5150 MHz to 5925 MHz. Aqui, a Anatel chegou a estudar, no ano passado, a alocação de uma nova faixa para o WiFi. No Brasil, a faixa mais usada é a de 5,1 GHz ( que vai de 5150 a 5350 MHz para o up link e de 5470 a 5725 para o downlink). Tem também a faixa de 2400 a 2483 MHz. Mas esta faixa é intensamente ocupada pela radiodifusão e por isto há limitações de uso para a banda larga nas cidades com mais de 500 mil habitantes. Mas os estudos não avançam. Seria importante para o país ter mais espectro para este serviço não só para desafogar as redes das operadoras de celular, mas também porque torna-se uma fonte importante de economia para o usuário.

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