“Brasil vive uma condição especial e acreditamos na retomada da estabilidade econômica”, diz CEO da América Móvil


As ações da América Móvil caíram hoje cerca de 8% após a divulgação dos resultados nos quais apresentou uma queda de 42% no lucro líquido, surpreendendo mais uma vez negativamente a expectativa de analistas. No México, a empresa tem enfrentado cada vez mais uma forte concorrência, o que se reflete no lucro menor naquele país. Mas a prolongada desaceleração econômica no Brasil também tem sua parcela de culpa nesse desempenho, somada ainda às pressões do câmbio tanto no mercado brasileiro quanto no mexicano. “O Brasil vive uma condição especial e acreditamos que vamos recuperar a estabilidade econômica e, ainda, o crescimento”, apostou Daniel Hajj, CEO do grupo. Em um ano, a companhia perdeu 6,7 milhões de linhas móveis no país.

O Brasil tem se consistido em um centro nervoso para o grupo mexicano, que conta com o país como sua segunda receita. Na área móvel, em sintonia com o que acontece no mercado desde o final do ano passado, tem perdido base de clientes, menos 9,2% na comparação anual. Nos 6,7 milhões de clientes que deixaram a companhia está incluída a desconexão de 908 mil linhas pré-pagas no primeiro trimestre.

Mas Hajj chama a atenção para o crescimento da base pós paga, que incorporou 219 mil linhas no período o que representou uma expansão de 6,1% na comparação anual. Mas a exemplo do que ocorre na região, as apostas no mercado brasileiro também estão altas em broadband e TV por assinatura. Com 36,9 milhões de assinantes na plataforma de linhas fixas, teve um acréscimo de 249 mil clientes. Isso compreende 8,4 milhões de usuários do serviço de banda larga (expansão de 8%) e 16 milhões de TV paga, incluindo 280 mil assinantes que vieram com a compra da Blue Interactive.

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Dólar

Se no Brasil o efeito da alta do dólar vem sendo sentido desde o ano passado, a América Móvil enfrentou a partir deste ano uma pressão maior sobre o peso mexicano. Segundo o executivo, esse desempenho tem impacto sobre investimentos e, principalmente, na compra de terminais móveis.

A receita da subsidiária brasileira, no primeiro trimestre, alcançou R$ 9 bilhões, uma queda de 0,7% na comparação anual, incluindo uma retração de 24,6% na venda de equipamentos. A receita móvel caiu 12,8%, com impacto de diminuição dos valores com interconexão e queda no tráfego em função das desativações. A TV por assinatura, por sua vez, contribuiu com mais 4,1 % no resultado, impulsionada pelas atividades do segmento de vídeo on demand.

Se o Brasil preocupa, a situação no México também não é nada confortável para o grupo. A entrada no mercado da norte-americana AT&T tem acirrado a competição, também com a Telefónica, e pressionado por descontos e preços mais competitivos. Há também reformas legais para tornar o mercado mais competitivo, inclusive com oferta de unbundling por parte da operadora para seus concorrentes. Para o CEO do grupo, esse cenário também tende a se estabilizar, com “a situação se tornando mais racional ao final das promoções”.

A operação brasileira registrou prejuízo de R$ 300,8 milhões no primeiro trimestre. Apesar de negativo, o resultado é melhor que o apresentado um ano antes, quando amargou prejuízo de mais de R$ 2 bilhões. A receita líquida da empresa caiu 3,5%, para R$ 8,03 bilhões. O Ebitda ficou em R$ 2,2 bilhões, menor 9%.

Durante o primeiro trimestre, os serviços de valor adicionado passaram a ser prestados por outra empresa do grupo, o que resulta em diferença no balanço financeiro. A companhia alerta que, considerando-se essa unidade, a receita líquida teria sido de R$ 8,36 bilhões, 05% maior que um ano antes, e o EBITDA, de R$ 2,5 bilhões, 3,9% maior.

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