Brasil já tem condições de iniciar a transição para o 5G, diz Telefónica


O CTO do grupo espanhol Telefónica, Enrique Blanco, demonstrou hoje (1º) em Barcelona (Espanha) a versão da operadora para a tecnologia de transição entre o 4G e o 5G. A plataforma, baseada no LTE-Advanced, agrega bandas de diferentes frequências para multiplicar a velocidade de upload e download.

Na demo, smarpthones já disponíveis no mercado realizaram downloads a velocidades de até 380 Mbps de download e 50 Mbps de upload, conectando-se à rede comercial da operadora implementada pela Ericsson. “A grande revolução do 5G será a redução da latência e o aumento do throughput para o usuário final”, ressaltou Blanco.

Ele garante que essas velocidades são já em instalações comerciais e uma prova do que é possível alcançar numa rede urbana com a disponibilidade atual de espectro. Para atingir os 380 Mbps, a Telefónica agregou faixas de 20 MHz de frequências alta (2,8 GHz), média (1,6 GHz) e mais 10 Mhz na baixa (800 Mhz). A conexão foi com um Samsung Galaxy Note 4, que já se enquadra na categoria 9 – de aparelhos capazes de lidar com a agregação de bandas.

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Frequência  é o insumo mais requisitado para aumentar a velocidade da banda larga móvel neste modelo, o que deve atrasar a agregação de três faixas de frequência no Brasil. Até a liberação dos 700 Mhz, que precisam passar por uma limpeza para evitar interferências da TV Digital, a companhia deve agregar duas faixas, o que permite a entrega de velocidades acima de 225 Mbps. No teste com um smartphone categoria 4, que reconhece a agregação de duas bandas, a velocidade chegou a 291 Mbps.

Nada impede, porém, que a Vivo ofereça conexões móveis com velocidade acima dos 200 Mbps. “Temos a tecnologia e as frequências. Podemos agregar o 2,6 GHz e o 1,8 Ghz e começar a usar  já em 2014”, falou. Na Espanha, Madrid e Barcelona contam com redes LTE-Advanced com agregação de bandas. Ele ressaltou, porém, que a oferta dependerá das estratégias adotadas no mercado local pela Telefônica Vivo.

O executivo contou também que a estratégia da empresa no mundo será tentar implementar as redes mais rápidas em conjunto, com os países da América Latina acompanhando os desenvolvimentos na Espanha. Ele destacou o Brasil como exemplo de campo de testes, onde inovações na entrega de TV por assinatura devem se espalhar para outros mercados do grupo. “Temos a meta de virtualizar 30% das funções da rede até 2016. No Brasil e no Chile, toda a entrega de vídeo já é virtualizada. A evolução para o 5G vai exigir uma virtualização plena”,  disse.

A meta do 5G, na visão da Telefónica, é obter uma velocidade média de 100 Mbps para todos os usuários, ver um aumento de mais de mil vezes no tráfego de dados e reduzir o tempo de resposta das conexões a 1 milissegundo, tornando possível novas conexões de internet das coisas, como de carros autônomos. Essas características só serão realidade em 2020. Mas Blanco diz que o 5G já teve início. “Não vamos lançar 4,1 G, 4,5 G, 4,9G. Os usuário vão receber um benefício por vez, à medida que for criado”, observou.

A partir de amanhã (2), a agregação da empresa poderá ser vida na feira Mobile World Congress, que acontece até 5 de março na cidade catalã. A Telefónica também vai demonstrar a tecnologia Full Duplex, desenvolvida em parceria com a Kumu Networks, e que reduz as interferências nas redes sem-fio, aumentando a capacidade de transporte numa mesma frequência.

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