Brasil é o país que mais oferece espectro na América Latina


O Brasil está bem situado quanto à oferta de espectro para uso por parte das operadoras de telecomunicações. Mas também não está. A conclusão é da 4G Americas, entidade que reúne operadoras e fornecedores de tecnologia de redes móveis na região. Por um lado, o país aparece como destaque em quantidade de megahertz leiloados: são 669 Mhz vendidos às operadoras, ao todo, conforme números da CITEL, entidade da Organização dos Estados Americanos para as telecomunicações.

A média de disponibilidade da região é de 318 Mhz. O problema, ressalta a entidade, é que as companhias compram para vir a usar muito mais tarde. No caso brasileiro, a crítica remete ao leilão de 700 MHz, em que as operadoras só poderão começar a utilizar os lotes aos poucos, até 2019, podendo ainda haver atraso nesse cronograma.

“Há necessidade de espectro radioelétrico, mas de um espectro que seja viável. Por ser viável, quero dizer que esteja limpo. Que os blocos sejam amplos para um serviço de qualidade. Se pode ter LTE em um canal de 1,4 MHz, mas vai ser mais lento que em um canal de 2 Mhz”, destacou José Otero, diretor da entidade para a América Latina e o Caribe.

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Otero participou hoje na Futurecom 2015, em um workshop pré-evento da 4G Americas para debater o futuro do LTE e 5G na América Latina. Na ocasião, ressaltou que a região está atrasada em relação aos mercados maduros e que os governos têm nas mãos a oportunidade diminuir a diferença.

“O aumento de impostos torna impossível que a tecnologia se torne massiva, principalmente quando 80% dos usuários locais adotam o pré-pago. É preciso, também, tornar os terminais mais baratos. E que os reguladores sejam agnósticos ao realizar os leilões, sem definir a destinação do uso daquele espectro. Isso será importante para a adoção do 5G, quando a UIT definir quais serão as bandas usadas na nova tecnologia”, disse.

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