Prouni melhora posição do Brasil no ranking da UIT


Graças a programas como o Prouni, o Brasil subiu da 92ª para a 57ª posição no ranking da UIT de uso de TICs pelos países, quando considerados tanto os indicadores quanto os sub-índices. O que garantiu a melhoria da posição foram as chamadas habilidades, que compreendem a taxa de escolaridade.

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Se a boa notícia do recente estudo “Measuring the Information Society Report 2017” da UIT é que o avanço da conectividade está consolidado no mundo, tendo crescido 0,18 pontos entre todas as economias, a má notícia é que se mantém a distância, em termos de dividendo digital, entre os países mais desenvolvidos e os menos desenvolvidos. Na verdade, o gap se agrava pois o estudo mostra que os países menos desenvolvidos melhoraram seu IDI (sigla em inglês para ICT Development Index) 0,15 pontos contra um acréscimo de 0,22 pontos dos países desenvolvidos.

O estudo da UIT, que acaba de ser divulgado, compara, em seu volume 1, dados relativos a 176 países coletados nos meses de maio de junho deste ano, mas relativos a 2016. Os dados permitem avaliar o índice de oferta dos serviços de telecomunicações e de banda larga fixa e móvel, e dos serviços associados, criando um ranking de países em relação à oferta dos serviços e ao seu uso pela população.

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No ranking geral de uso das TICs, o Brasil subiu uma posição em relação ao de 2016, do 67º para o 66º lugar, entre 176 países. Mas no ranking que considera os chamados sub-índices, o Brasil deu um salto da 92ª para a 57ª posição. E o que contribui para a melhoria da performance não foi a oferta de serviços de telecomunicações, mas a habilidade da população em absorver os serviços de TICs graças ao aumento da taxa de escolaridade, muito especialmente à política de acesso traçada pelas administrações petistas ao ensino superior onde se destacam programas como Prouni e FIES. Entre 2015 e 2016, a taxa bruta matricial terciária (ensino superior) do Brasil saltou de 25,6 para 49,3; a de nível secundário, caiu de 105,8 para 102,0 e a de nível primário (ensino fundamental) subiu de 7,7 para 7,8.

Com essa colocação, o Brasil se encontra no segundo quartil. A equipe de dados e estatísticas do Escritório de Desenvolvimento das Telecomunicações da UIT, responsável pelo estudo, divide os países participantes em quatro grupos: no primeiro quartil, estão os 44 situados na faixa superior; no segundo, os que se enquadram, na média superior; no terceiro, os da média inferior; e no quarto, os da base da pirâmide.

Os líderes do ranking continuam sendo os países com elevado desenvolvimento econômico. O ranking de 2017 é liderado pela Islândia. A Coreia do Sul, líder em 2016, caiu para o 2º lugar, seguida por mais três países europeus –Suíça, Dinamarca e Reino Unido — e por outra economia asiática, Hong Kong (China).

Houve mudanças relativamente pequenas na maioria dos indicadores individuais para economias no topo da distribuição de IDI, pois já tinham alcançado valores elevados em vários indicadores, inclusive de assinaturas em telefonia móvel e banda larga móvel.

Os destaques do estudo

Um dos pontos que os autores do estudo chamam a atenção é para o fato de o nível de conectividade nos países estudados ter crescido 0,18 ponto entre o levantamento de 2016 e o de 2017 e ultrapassado, pela primeira vez, o ponto intermediário ao longo da sua escala.

Também destacam as seguintes constatações:

  • As melhorias foram mais significativas entre os países no meio do ranking da IDI, muitos dos quais são países em desenvolvimento de renda média, o que indicaria que esses países estão se recuperando no que se refere às TICs;
  • Os países menos desenvolvidos também melhoraram o valor médio de IDI, por meio de 0,15 pontos durante o ano, perto do crescimento médio geral registrado;
  • O que impulsiona o crescimento da conectividade e do uso das TICs é a banda larga móvel. Em todo o mundo, as assinaturas de banda larga ativa aumentaram de 11,5 por 100 habitantes para 56,4 em apenas sete anos. Aqui também, o crescimento nos menos desenvolvidos foi ainda mais forte, de 0,4 em 2010 para 22,3 em 2017, oferecendo esperança de que estejam em um caminho para alcançar o resto do mundo;
  • Mais da metade das residências no mundo já conta com banda larga móvel;
  • O número de linhas celulares já supera o da população mundial;
  • O crescimento da banda larga fixa vem reduzindo sua velocidade;
  • O gap digital entre regiões continua sendo um desafio: Europa e Estados Unidos têm três vezes mais acessos em banda larga móvel que a África. A taxa de domicílios online é duas vezes maior nos países desenvolvidos do que nos países em desenvolvimento e mais de 5 vezes do que nos países menos desenvolvidos.
  • Nos países desenvolvidos não há praticamente diferença de gênero no acesso à internet, que também não é muito relevante nos países em desenvolvimento. Mas nos países menos desenvolvidos, apenas uma em cada grupo de sete mulheres tem acesso à internet. No caso dos homens, a relação é de um em cada grupo de cinco.
  • Já o acesso entre os jovens, nos três blocos de países, é de 70% no grupo de 15 a 24 anos, contra 48% entre a população mais velha.
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