“Bits não são átomos, não gastam matéria”, alerta Getschko


foto: Robson Regato
foto: Robson Regato

Com a grande participação de internautas brasileiros – mais de 300 intervenções foram enviadas durante a audiência pública – o Senado Federal iniciou hoje, 03, os debates sobre a franquia da banda larga fixa no Brasil. Com a presença de 14 representantes – a maioria porta-vozes defensores dos direitos dos consumidores e contrários a qualquer pacote de serviço que vise a cortar o acesso à internet coube a Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, expor de maneira técnica didática, porque entende que não pode haver limite no consumo de dados na rede fixa.

“É muito complicado fazer a medição de banda na internet fixa, pois o pacote que vai ser medido sempre vai estar do outro lado da parede. O up load e o download que for feito, mesmo que não quisermos, vai estar usando nossa franquia. Vai ser a mesma coisa que um açougueiro nos vender dois quilos de carne e a gente reclamar que tem osso ou pelanca, mas ele vai continuar a dizer que foram entregues dois quilos”, afirmou ele.

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Para o fundador da internet brasileira, o Marco Civil da Internet abre a possibilidade de se ter os dois modelos de venda de serviço de banda larga: por volume (no caso da rede móvel) e por velocidade (no caso da rede fixa). No seu entender, a internet é “inteligente” e vai se ajustando à demanda. “Quando se assiste TV pela internet em casa, não se faz mais uma conexão internacional, pois a empresa já joga a conexão para perto do provedor”, explicou.

Intervozes

Para Bia Barbosa, do coletivo Intervozes, o estabelecimento de franquia na internet poderá também prejudicar o usuário da telefonia móvel, na medida em que grande parte de seu consumo é feito pela rede WiFi, que faz parte da rede fixa de dados. “Pode-se correr o risco de os atuais estabelecimentos cortarem o acesso de graça ao WiFi”, alertou ela.

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