Bilionário egípcio com interesse na Oi vai a Anatel nesta sexta


O interesse do grupo egípcio em se tornar sócio da Oi se amplia na medida em que o seu principal interlocutor, o bilionário Naguib Sawiris, também amplia o seu contato com Brasília. Se o investidor só falava com os interlocutores do Palácio do Planalto, agora resolveu ir para os reguladores e encontra-se na sexta com a Anatel. Em outra frente, o presidente da agência disse na Câmara que ainda não sabe o que esperar da reunião de conciliação do dia 26 e alertou que a Oi tem que pagar as dívidas com os consumidores, pois eles não estão na RJ
O presidente da Anatel disse que a Oi deve pagar as dívidas com o consumidor pois elas não estão na recuperação judicial.

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O bilionário egípcio Naguib Sawiris, que se associou ao grupo de bondholders liderado pela Moelis para apresentar uma contraproposta de recuperação judicial para a Oi, irá se reunir com o presidente da Anatel, Juarez Quadros nesta sexta-feira, dia 25. Segundo o executivo, este será o quarto representante de fundo de investimento que procura a agência para apresentar seus planos com interesse na concessionária.

Sawiris é acionista controlador da operadora do Egito,  Orascom Telecom Media, e tem também participação minoritária em outras empresas de telecom de países africanos e asiáticos. Ele fechou acordo com os detentores de títulos estrangeiros da Oi que hoje, 22, ingressaram na justiça contra a concessionária para que ela  negocie com esses credores.

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O grupo travava um embate com o sócio minoritário Nelson Tanure, do Sociètè Mondiale, que teve a sua participação no conselho de administração da companhia vetada pela Anatel,  justamente porque não tinha a autorização da agência para ingressar na Oi.

Segundo Quadros, pelo menos quatro fundos de investimentos já procuraram a agência com interesse na concessionária. Para o presidente da Anatel, a fusão com a Brasil Telecom foi um erro estratégico da empresa, que não pode mais ser revertido. ” O Plano Geral de Outorgas nunca deveria ter sido alterado para permitir a fusão da Oi com a Brasil Telecom mas agora não dá mais para desfazer o que foi feito equivocadamente. A Inês é morta”, afirmou.

Na reunião do dia 26, entre a Anatel, a Oi e a Justiça do Rio de Janeiro, em referência à dívida da Oi,- no valor de R$ 11 bilhões , ou de R$ 20 bilhões, segundo a Anatel – ainda não está decidido qual será a posição do governo. Mas Quadros ressaltou que “há controvérsias se o governo poderá abater a sua dívida”.

Segundo ele, a AGU não abre mão de que essas multas saiam do processo de recuperação para não sofrer qualquer deságio, pois ao administrado público haveria o impedimento legal de conceder qualquer desconto.

Conforme Quadros, dos R$ 20,2 bilhões listados pela Anatel, um montante de R$ 7 bilhões poderiam ser convertidos em TAC (contratos para converter multas em investimentos). Mas as multas que estão no âmbito da AGU, no valor de R$ 6 bilhões, não caberiam mais nenhuma negociação.

Intervenção

Após a rodada do dia 26,  Quadros entende que surgirá um cenário melhor para o governo analisar se haverá de fato a necessidade de intervenção ou não na empresa. E durante audiência pública de hoje na Câmara dos Deputados, ele disse que a agência está pronta para intervir, mas não vê necessidade.

Consumidor

Segundo Quadros, a Anatel notificou a Oi porque seus funcionários estavam  se aproveitando erradamente o fato de a empresa estar em recuperação judicial para não ressarcir o consumidor, o que está errado. “O consumidor não pode ser penalizado com a recuperação judicial” disse.

 

 

 

 

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