Banda larga levada a sério


{mosimage}O gargalo banda larga sem fio se mostra como um dos principais entraves para a consolidação do Brasil entre os países desenvolvidos, na opinião de Emílio Loures, gerente de programas de tecnologia da Intel Brasil. Neste artigo, ele aborda a conexão por tecnologias sem fio como uma oportunidade para 2009 ser um divisor de águas para a internet de alta velocidade.

Se você está usando uma conexão sem fio para ler este artigo, pode garantir que possui a melhor velocidade e qualidade de banda larga? E se você tiver a intenção de usar esse serviço fora de onde está, se movimentar pelo Brasil, seu acesso ainda será seguro e confiável? Se você não tem certeza, talvez queira conhecer um pouco mais sobre como a tecnologia está perto de nos garantir maior flexibilidade e confiabilidade na navegação, não necessariamente a custos elevados. A tecnologia, colocada para trabalhar a nosso favor, pode fazer a diferença.
 
As ofertas são muitas e quase se confundem em uma miríade de siglas que mais atrapalham que nos ajudam (CMDA, EVDO, 1XRTT, OFMDA, WiMAX, Wi-Fi, LTE, HSPDA…). De modo geral elas são tratadas em três grandes grupos: 3G, WiMAX e Wi-Fi. Infelizmente isso é impreciso, até porque o WiMAX hoje tem soluções na chamada família IMT-2000, portanto, também seria 3G. O WiMAX e o 3G funcionam de modo diferente da tecnologia Wi-Fi.

O Wi-Fi foi criado como uma tecnologia de rede local, de cobertura limitada, onde você depende necessariamente dos pontos de acesso, que podem ser pouco confiáveis quando você está fora de sua casa ou escritório. Existem casos, principalmente pelo interior do país, onde pequenos provedores acabam ampliando a potência dos equipamentos e cobrindo áreas maiores. Isso tem fôlego limitado, pois comporta um número restrito de usuários, não conseguindo assegurar qualidade de serviços.

Em um país com as dimensões do Brasil, onde o deslocamento é uma característica inerente a muitas atividades profissionais e mesmo parte do lazer, há um claro gargalo na oferta de redes de internet banda larga sem fio. A resposta à existência de lacunas e barreiras ainda presentes somente virá através do emprego de soluções combinadas em 3G e WiMAX, não excluíndo o Wi-Fi. Acreditamos que 2009 será um divisor de águas para a internet de alta velocidade.

As redes de telefonia 3G experimentam um crescimento forte nos últimos dois anos, demonstrando a forte demanda por melhor cobertura quanto a serviços de dados – puxada pela expansão das vendas de smartphones, notebooks e netbooks. A tecnologia móvel 3G possui como principal característica sua cobertura e eficiência no tráfego de voz – o que se conhece por 3G é essencialmente uma evolução das tecnologias celulares tradicionais de voz. O WiMAX, por outro lado, possui como origem o serviço de dados e o vemos como o padrão que impulsionará as próximas gerações de dispositivos móveis como foco em dados, inclusive para os MIDs – Mini Internet Devices. O emprego das duas tecnologias associadas vai trazer ao usuário cobertura e serviços de dados de qualidade.

Essa nova onda de serviços gera um impacto sócio-econômico ímpar. Um estudo da Guerreiro Consult de outubro de 2008 revelou que a banda larga usando apenas a frequência de 3,5 GHz pode render até R$ 38,5 bilhões ao país. De acordo com esta análise, o caminho a ser seguido para o emprego efetivo de WiMAX depende de fatores críticos, tais como a rápida realização de um novos leilões de frequência e sua consequente aplicação em áreas não atendidas atualmente; a promoção e a melhor oferta competitiva de serviços de banda larga sem fio em áreas precariamente atendidas e o encorajamento à criação de um ecossistema de fornecedores e de novas tecnologias auxiliares que ofereçam suporte ao WiMAX e que, consequentemente, levarão à redução de preço da oferta para o consumidor.

O gargalo banda larga sem fio se mostra, sem dúvida, como um dos principais entraves para a consolidação do Brasil entre os países desenvolvidos. Conectividade, acessibilidade e conteúdo, juntos, habilitam benefícios diretos para usuários domésticos, estudantes e pequenos e médios empresários. Neste momento de crise financeira, a União Européia divulgou seu pacote de emergência para fomentar a economia durante os próximos anos e uma das medidas estratégicas para combater a crise foi a decisão de implementar banda larga em todo o território. O Brasil, por sua vez, não pode ficar atrás. Em 2009, certamente será a nossa vez.


*Emílio Loures é gerente de programas de tecnologia da Intel Brasil

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