Banda KA e novas constelações favorecem satélites no agro 4.0


Em um momento que o mercado de satélites dá uma movimentada com a chegada de novas tecnologias e bandas, as empresas aproveitam para reforçar a presença na conectividade do agronegócio que, nos últimos anos, passou de um segmento considerado o patinho feio para promissor. Favorece essa disposição por exemplo a chegada dos satélites com a banda KA, mais competitiva em velocidade e preços, e as constelações de baixa e pequena órbita.

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“A nossa empresa trabalha em um sistema vertical para atender ao mercado corporativo e hoje a agropecuária é a área mais promissora”, disse Eugenio Mrozinski, diretor comercial Satcom da italiana Telespazio. Ele ressaltou que a empresa atua nessa cadeia produtiva como um todo, desde o campo até o transporte, seja rodoviário ou marítimo.

Na sua avaliação, as empresas sempre procuraram se espelhar nessa vertical como atuam em outros mercados. Mas o conceito está errado porque é preciso entender as particularidades de customização e escala. Uma solução pode não ser a mesma para todas as culturas e ás vezes mesmo em um tipo único de lavoura há particularidades de uma para outra área plantada. “|Precisamos entender todas as necessidades técnicas de cada perfil para podermos atender às necessidades dos clientes com preços competitivos”, completou.

No grupo Claro, a agropecuária se tornou uma área estratégica. Nesse cenário, o atendimento corporativo via satélite da Embratel funciona como um grande aliado para o backhaul da rede móvel da Claro, tem um portfolio de serviços que permite a oferta conjunta de pacotes e ainda pode atuar diretamente, dependendo da configuração necessária para o cliente.

Para José Antonio Gonzales, gerente de Produtos e Projetos Especiais da Embratel, uma das grandes novidades para o agro na área satelital será a chegada do satélite D2, que deverá ser lançado no terceiro trimestre. “A cobertura ai se estender para estados do centro-oeste e do Norte, que são fronteiras do agronegócio”, observou. Além disso, ele trará mais capacidade com a banda KA, considerada mais competitiva e com preços mais atraentes.

Com o satélite D1, a Embratel responde pelo bakchaul de 180 Estações Radio Base (ERB) da Claro. “Há dois anos a operadora tem investido fortemente em plataformas NB IoT e CATM que lhe dá possibilidade de expansão nas aplicações com IoT no campo. Já estamos com os motores ligados para a expansão dessa presença móvel com bacckhaul do novo satélite”, relatou.

Nanosatélites

O Brasil está nos planos de elaboração de cases na área agrícola da Sateliot, empresa que se prepara para lançar uma constelação de nanosatélites (do tamanho de uma caixa de sapato ) de baixa órbita que irá operar com o padrão NB IoT de quinta geração permitindo a conexão desses equipamentos em áreas rurais e mais afastadas. Todo o projeto, deve receber investimentos totais de 176 milhões de euros.

De acordo com Stephan Bernard Baró, responsável por desenvolvimento de negócios da empresa, já foi lançado um satélite com o único propósito de apresentação de show cases. A constelação está prevista para ser lançada em dois anos, tempo hábil, inclusive, para a finalização do padrão NB IoT pelo órgão 3 GPP.

Próxima a essa data, a Sateliot pretende dar início à negociação com as operadoras móveis brasileiras que, de acordo com seu plano de negócios, serão as parceiras também em todo o mundo. De cara, a constelação é compatível com mais de 70 operadoras móveis globalmente. “Acreditamos que o melhor modelo é fazermos essa integração com quem opera IoT na parte terrestre, ganhamos em escala e temos na ponta alguém que conhece bem o cliente”, disse.

Os três executivos participaram hoje do AGROtic 2021, evento realizado pelo Telesíntese em parceria com a ESALQtec e que se estende até amanhã. O moderador do debate sobre a participação dos satélites na inovação agrícola foi Fabio Alencar, presidente da Abrasat

 

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