Banco do Brasil lança carteira digital no segundo semestre


O Banco do Brasil lançará no segundo semestre uma carteira digital com app e estrutura para pagamento e recebimento. O novo produto será baseado na conta digital usada pelo banco no pagamento de benefícios emergenciais distribuídos a mais de 3 milhões de usuários durante a pandemia, afirma Edson Costa, diretor de pagamento do Banco do Brasil.

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De acordo com Costa, o  pagamento por cartão cresceu 800% nas transações de débito e 200% nas transações de crédito do banco. Os clientes PJs, especialmente as PMEs, tiveram de criar um novo modelo baseado no digital para dar continuidade aos seus negócios. “Foram mais de 3 milhões de clientes PJs buscando pagamento via cartão e recebimento de Pix”, disse, durante painel virtual sobre tendências de pagamento.

“O uso do meio de pagamento eletrônico trouxe benefício, otimizou tempo e tornou a experiência de compra amigável para os usuários”, afirmou Ricardo Granado, head no Brasil da Minsait Payments, durante o painel virtual da Mobile Time

Estudo desenvolvido pela Minisait Payments com mais de 2 mil usuários de meios de pagamento na Europa e nas Américas mostra que nove em cada 10 executivos dizem que, apesar da pandemia, o período de isolamento foi benéfico para o mercado de meios de pagamento. Mais de 63% dos entrevistados passaram a usar meios eletrônicos de pagamento.

No Mercado Livre, oito em cada 10 compras têm sido realizadas por meio de dispositivo móvel e 45% dos usuários pretendem continuar usando plataformas online, o que contribuiu para o crescimento de 9 milhões da sua base de clientes durante o isolamento social, segundo Elaine Shimoda, head de inovação em pagamentos e parcerias do Mercado Pago, braço financeiro do marketplace.

A digitalização ocorre de fato quando é rompida a barreira entre a comodidade e a segurança das usuários, segundo  Estanislau Bassols, country manager da Mastercard Brasil. Para ele, a curva de aprendizado dos usuários brasileiros foi comprovada com o case da Caixa Econômica Federal. No ano passado, apenas 5% dos clientes usavam o App e 35% sacavam dinheiro no caixa. Atualmente, 63% já usam o App e apenas 15% vão até o caixa do banco.

Boleto Bancário

Mesmo nesse ambiente de digitalização frenética, o boleto bancário respondeu por 55% do volume total das transações realizadas no país, em 2020. A expectativa, no entanto, é de queda de 18% este ano. “O boleto faz parte do ecossistema, inclusive muitos sites incentivam seu uso em detrimento das carteiras eletrônicas, pois traz fôlego à cadeia”, observa Granado.

Para Shimoda, o boleto cresceu na pandemia por falta de alternativas, porém traz ineficiência para o sistema de pagamento. “Cerca de 50% dos boletos no Mercado Livre já estão sendo migrados para o Pix, que superou as expectativas das plataformas de e-commerce”, disse.

A chegada da figura do Iniciador de Pagamento (IP) como facilitador das compras online poderá substituir o uso do boleto, segundo Costa. Na sua opinião, o Pix poderá também vir a compensar aos poucos a TED e o DOC. “O Pix ampliou o escopo da utilização do meio de pagamento, porém a grande revolução na indústria ainda está para acontecer com o open finance.”

Pesquisa realizada pela Mastercard em 39 países onde atua, aponta que três entre quatro entrevistados querem usar o pagamento em tempo real. Para Bassols, os pagamentos em cash de valores menores tendem a ser realizados em plataformas como o Pix.

Multibancarizado

O brasileiro durante a pandemia mudou seu perfil, tornando-se um cliente multibancarizado em sua essência, conforme atesta pesquisa da Minisait Payment. “Não  houve a migração de um banco para o outro, na realidade o usuário optou por ter mais de uma instituição financeira para prover serviços bancários e usará aquela que oferecer melhores benefícios”, afirma Granado.

Por ser a principal ferramenta de comunicação do brasileiro hoje, o  Whatsapp como meio de pagamento no país trará impacto considerável na indústria de meios de pagamento. “Cerca de 50% da experiência do usuário já está garantida, cabe a indústria agora converter os outros 50%”, observa ele.

Com cerca de 3% a 4% de utilização pelos brasileiros, o cheque é visto agora como uma formulação da dívida, enquanto os pagamentos por aproximação, que na Austrália já respondem por 97%, já caiu no gosto dos brasileiros, segundo a pesquisa da Minsait Payment.

As criptomoedas, que têm ocupado as agendas dos órgãos reguladores ao redor do mundo, foram consideradas alternativas futura como meio de pagamento. “É importante a presença do regulador garantindo a segurança para poder massificar as criptos”, Mastercard.

 

 

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