Banco Central aposta na retomada da economia a partir de julho


Considerando as novas contratações de doses da vacina contra a Covid realizadas pelo governo, estudo do Banco Central aponta que o país estará em condições de retomar a economia a partir de julho, afirma Roberto Campos Neto, presidente do BC, durante evento virtual da ABFintech, associação das fintechs no país.

Até agora, já foram vacinadas 10,6% da população mundial, o que corresponde a 825,1 milhões de doses administradas, com destaque para os Estados Unidos que estão bem à frente, de acordo com estudo desenvolvido pelo órgão regulador, baseado em dados do Brasil e de outros países.

PUBLICIDADE
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

Campos Neto chamou atenção para o crescimento contínuo do governo norte-americano com o ingresso de US$ 1,9 trilhão na economia. Segundo ele, isso poderá representar o início de um processo ainda embrionário de inflação no mundo e que terá efeito nos países emergentes.

Na área fiscal, ressaltou, o Brasil foi o país que mais medidas tomou entre o grupo dos emergentes. Porém, se comparados aos países desenvolvidos, os emergentes fizeram bem menos que deveriam sob o ponto de vista fiscal, e esse distanciamento tende a se acentuar na crise pandêmica. Para Campos Neto, o processo de reprecificação da inflação, com aumento no preço de alimentos, distancia ainda mais os dois grupos de países e, como nas nações emergentes a inflação de alimentos é maior, afetará a política de juros.

No bloco emergente, o Brasil foi o que apresentou recuperação mais rápida na manufatura nos quatro primeiros meses da pandemia, porém, sofreu uma queda nessa segunda fase, o que mostra a relação estreita do ciclo econômico com a pandemia, assinalou. O segmento do varejo também apresentou recuperação, mas logo se estabilizou.

Com exceção dos Estados Unidos e Japão, conforme o estudo, grande parte do mundo adotou diferentes medidas, mas não atingiu condições financeiras melhores. O apetite para o risco ocorre mais rapidamente nos países com dívida bruta menor.

Moeda digital

Apesar da pandemia, o BC vem mantendo uma agenda intensa e até antecipando entregas. O Pix, por exemplo, foi uma delas e seu sucesso superou às expectativas do órgão regulador, disse o presidente do BC. Foram 206,6 milhões de chaves, 75,6 milhões de pessoas e 5 milhões de empresas. “Trata-se de um patamar que nunca esperamos atingir e os números mostram a demanda da sociedade por sistemas que geram inovação”, afirmou Campos Neto.

Na sua opinião, a inclusão financeira e social no país será alavancada pela tecnologia, que serve como instrumento de democratização para atingir as massas e trazer preços de serviços financeiros mais acessíveis. “Temos como marco fomentar créditos que gerem inclusão. Microcréditos e fintechs são um casamento importante, assim como o de fintechs com o agrobusiness”, disse.

Para acompanhar o movimento de inovação da indústria financeira, o BC anunciou recentemente o lançamento da moeda digital, cujos pilares serão divulgados nos próximos meses. Em outros países, esse debate está ocorrendo de forma bastante intensa. A aposta é grande também no processo de tokenização. “Os ativos vão passar a ser registrados e negociados em forma digital e a moeda digital se encaixa bem nesse cenário”, disse.

“Fala-se muito sobre a interação entre fintechs e bancos, mas na verdade a interação que de fato está acontecendo de forma mais acelerada é a da mídia social com o segmento financeiro. Isso é nítido no mundo de pagamentos com a convergência de pagamentos e conteúdo”, concluiu Roberto Campos Neto.

 

 

 

Anterior Anatel adia decisão que pode autorizar cobrança antecipada em planos de TV paga
Próximos Ericsson, FEI e Vivo criam polo de pesquisa de aplicações IoT com 5G