As previsões da Oi para os resultados financeiros até 2018


Parte das negociações entre a Oi e credores, divulgada hoje, 17, pela companhia, traz projeções dos balanços financeiros da operadora para os próximos trimestres de 2016 e para os anos de 2017 e 2018. O que se vê nos números é a aposta da companhia em continuidade do crescimento das receitas, mas abaixo dos índices de inflação – caso bem-sucedida em reestruturar a dívida.

A concessionária acredita que suas receitas vão cair 0,24% este ano, para R$ 26,377 bilhões, e calcula que a inflação será de 6,5%. Para 2017, as receitas devem crescer 4,2%, para R$ 27,5 bilhões, ano em que projeta inflação de 4,8%. Para 2018, prevê receita líquida de R$ 28,6 bilhões, crescendo 4%, contra uma inflação estimada de 4,8%.

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Em termos de investimento, prevê números menores que os da concorrência. Em 2016, diz que vai ter Capex de R$ 5,26 bilhões, 30% maior que em 2015. O valor vai regredir nos anos seguintes, para R$ 5,178 bilhões em 2017 e R$ 5,1 bilhões em 2018.

O fluxo de caixa deve ser negativo no segundo trimestre deste ano, em R$ 646 milhões. No terceiro e no quarto trimestre, porém, deve haver recuperação, com fluxo positivo em R$ 427 milhões e R$ 777 milhões, respectivamente. O fluxo de caixa deve terminar este ano negativo em R$ 398 milhões, mas fica positivo em R$ 1,5 bilhão em 2017 e em R$ 2,6 bilhões em 2018.

Somando ao fluxo de caixa os custos com o endividamento, a situação piora muito. O fluxo de caixa total, adicionando-se o pagamento de bonds, de juros e de contratos de hedge, pode terminar o ano em saldo negativo de R$ 11,78 bilhões. Voltaria ao azul em 2017, para R$ 1,3 bilhão, e seria negativo em R$ 178 milhões em 2018.

A empresa acredita que terá EBITDA de rotina de R$ 1,64 bilhão no segundo trimestre deste ano, de R$ 1,76 bilhão no terceiro trimestre, e de R$ 2 bilhões no quarto, resultando em R$ 7 bilhões. Para o ano que vem, estima EBITDA de R$ 7,76 bilhões, e para 2018, de R$ 8,58 bilhões.

Infraestrutura
A companhia destaca que tem 330 mil km de fibra instalada no país, e tem operações em 5.477 cidades, número sete vezes maior que a segunda maior concessionária do país. Em cobre, tem 45 milhões de homes passed, oferta de banda larga fixa em mais de 4,7 mil cidades, e de quad-play em mais de 2 mil cidades.

Gostaria, ainda, de chegar a 2018 com crescimento de 10x na quantidade de FTTH, atingindo 1,020 milhão de clientes. No 3G, pretende passar de 1.280 cidades atendidas, para 2.957. Em 4G, espera passar de 133 no final de 2015, para 808 cidades em 2018. Também consta dos planos ampliar a capacidade do backbone IP dos 3,3 Tbps para 8,8 Tbps.

Processos judiciais
A empresa divulgou, ainda, que correm na Justiça brasileira nada menos que 817.252 ações contra si, que somariam R$ 36,12 bilhões. A maioria (468.813), de baixo valor, corre em tribunais de pequenas causas, e somam R$ 370 milhões. Mas há processos trabalhistas, com o governo, e tributários, que elevam em muito o total.

Apenas as ações tributárias têm potencial de afetar o caixa da operadora em R$ 25,66 bilhões, e são reflexo da ainda falta de consenso jurídico entre quais serviços devem coletar ICMS. Além disso, até 2006, compensações e créditos tributários da empresa foram negociados sem o registro adequado, e totalizam risco de R$ 5 bilhões. A companhia tem, provisionados, R$ 5,56 bilhões para pagamentos das ações judiciais e R$ 14,38 bilhões em depósitos judiciais.

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