As novas tecnologias wireless podem ajudar a reduzir o custo das redes


{mosimage} Essa é uma das alternativas na qual a Motorola vem investindo, segundo anuncia o presidente da subsidiária, Enrique Ussher, em entrevista ao Tele.Síntese. O uso da tecnologia Mesh, diz ele, pode baratear o custo de implantação de redes celulares. Com novas tecnologias como esta e a redução da carga tributária, Ussher acredita que é possível fazer avançar a taxa de penetração da telefonia celular no país.

Uma das gigantes mundiais das soluções sem fio, a Motorola vê, com muito otimismo, o avanço das novas tecnologias wireless como WiMax, WiFi e Mesh. Para Enrique Ussher, presidente da subsidiária brasileira, 2006 vai ser, no Brasil, o ano de muitos testes das novas tecnologias e de início de projetos de maior porte, onde quer estar presente. Ele acredita que novas tecnologias, como Mesh, são um caminho para fazer baixar o custo das redes das operadoras celulares e, com isso, conseguir avançar a taxa de penetração da telefonia móvel no país. A redução do ritmo de crescimento desse mercado, neste ano, não o preocupa. Acha que o país está vivendo um período de ajuste e que, logo, o ritmo de crescimento será retomada. E diz que uma eventual redução momentânea do mercado interno de aparelhos celulares será compensada, pela Motorola do Brasil, com o aumento das exportações. No ano passado, a subsidiária exportou US$ 1,1 bilhão basicamente em aparelhos celulares, receita que Ussher quer ampliar este ano entre 20 e 50%, dependendo do comportamento do dólar.

Tele. Síntese – Como você vê o ano de 2006. Quais são so desafios tecnológicos que estão na pauta?
Henrique Ussher – Eu diria que este vai ser um ano de testes de  muitas novas  tecnologias, como o WiMax, o WiFi e, eventualmente alguma coisa entre o móvel e o fixo. Estamos bem posicionados em relação a essas tecnologias e estamos trazendo ao  mercado a visão que a gente tem  que é o conceito Seamless  Mobility, o oferta de mobilidade total na comunicação, com conteúdo, segurança, privacidade de aplicativos úteis. O foco tem que ser a convergência, mas uma  convergência  transparente e que agregue valor tanto para a operadora como o usuário. A convergência traz muitas oportunidades para o Brasil, porque o país   é inovador . Espero que o Brasil venha a ser um grande exportador em soluções, da mesma forma que já é um grande exportador de aparelhos celulares.

Tele.Síntese – Além dos celulares, que representam entre 50 e 60% da receita da Motorola no Brasil, quais são os outros segmentos de atuação relevantes.
Usherr – Temos a parte de rede, de infra-estrutura para a comunicação móvel, o segmento de soluções para a casa e produtos para a área de segurança pública. Somadas, a área de rede e a de missão crítica representam 35%.

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Tele.Síntese – A expectativa do mercado é de uma redução no ritmo de crescimento da telefonia celular no país, o que pode impactar o mercado de fabricação de celulares. Em que medida essa perspectiva influi na estratégia da subsidiária brasileira da Motorola?
Ussher – Eu não acredito nisso. Acho que este é um ano de ajuste, mas não significa que não vai haver mais crescimento no mercado de telefonia celular. Se você analisar que o Brasil tem uma taxa de penetração da telefonia celular de 50%, verá que ainda há muito espaço para expansão. O desafio é como os fabricantes, as operadoras e o governo, como a gente consegue atender a essa parte da população que gostaria de ter o celular mas não tem dinheiro para isso. As operadoras, especificamente de celular, estão vivendo uma fase de ajuste, de brecar um pouco  a expansão da base para recuperar as margens e poder continuar com o ciclo de crescimento.

Tele.Síntese – Mas se houver queda no consumo doméstico de aparelhos celulares, a estratégia será exportar mais?
Ussher – Há sempre um balanceamento entre a demanda do mercado interno e a exportação. No ano passado, exportamos US$ 1,1 bilhão. Quase dobramos a receita de exportação, que tinha sido sacrificada no ano anterior em função da demanda do mercado interno. Temos uma estratégia que vem dando certo. Este ano, queremos ampliar as exportação entre 20 a 50%, dependendo do patamar em que vai estar o dólar. Como a Motorola tem muitas fábricas no mundo,  nosso desafio é conseguir sermos competitivos, especialmente com a China.

Tele.Síntese –  O mercado principal das exportações da Motorola Brasil continua sendo a América Latina ou também estão atendendo a novos mercado?
Ussher – Nosso foco continua sendo a América Latina e o crescimento nas exportações se deveu à expansão da telefonia móvel na América Latina. Mas como a fábrica brasileira pode produzir todas as tecnologias da Motorola, se necessário podemos abastecer outros mercados como já abastecemos, no passado, o mercado norte-americano com aparelhos de tecnologia TDMA.

Tele.Síntese – Qual é a estratégia em relação às novas tecnologias wireless?
Ussher – Sem dúvida estaremos presentes com essas tecnologias. Nós estamos focandono que chamamos de  WiFor, que é o WiMax móvel, nós vamos pular diretamente para essa tecnologia. Temos uma solução para WiMax, que é o Canopy. Do lado dos terminais, vamos evidentemente oferecer soluções para convergir tanto móvel com fixo, como WiMax e WiFi. E vamos continuar investindo na 3G. Essa talvez não seja a tendência do Brasil. Talvez o Brasil vá da 2,5G para o WiMax e para a próxima 4ª geração, não sabemos ainda. Em nossa linha, é muito importante a solução para segurança pública, que faz todo o gerenciamento de missão crítica. É uma área em que o Brasil está extremamente carente e na qual podemos avançar. A barreira está na restrição dos investimentos governamentais. Mas já estamos presentes em vários estados.

Tele. Sintese – Você mencionou o desafio de fazer avançar a telefonia celular para a outra metade da população que ainda não tem acesso basicamente em função da renda. Qual é o papel dos fabricantes nesse desafio?
Ussher – Um dos caminhos é usar novas tecnologias para fazer baixar o custo da rede para a operadora. Nós estamos trabalhando na solução Mesh, na qual o
próprio terminal serve de rede competidora. Já usamos essa tecnologia nas aplicações de missão crítica. Ela não demanda antena. Na verdade, se coloca algumas antenas e, quando a base de usuários vai crescendo, a antena deixa de ser necessária e pode ser retirada. Estamos investindo muito nesse caminho. Do lado do governo, é preciso reduzir a carga tributária que incide sobre as telecomunicações. Com a redução de custos nessas duas áreas, rede e impostos, temos condições de fazer avançar a penetração do celular no Brasil.

Tele.Síntese – A Motorola tem, no Brasil, um importante programa de P&D. Qual são dos desenvolvimentos mais relevantes?
Ussher – Desde 1997, já investimos US$ 225 milhões. Não é fácil aplicar totalmente os recursos que a Lei de Informática exige como contrapartida aos incentivos fiscais. E nós temos conseguido isso, com benefícios tanto para a empresa como para o país. Eu diria que, hoje, para um engenheiro, a  Motorola é umas das empresas mais interessantes de se trabalhar .
Temos desenvolvimento de software, hardware, desenho industrial, produção , testes. Internamente, desenvolvemos aqui no Brasil, para todas as unidades da Motorola, o sistemas de testes de interoperabilidade dos aparelhos, antes de que entrem em produção. E com nossos parceiros – Cesar, Centro de Informática de Pernambuco e Fderal de Santa Catarina – são desenvolvidos muitos softwares, especialmente aplicativos. Um dos aplicativos desenvolvido pelo Cesar está presente em telefones da Motorola no mundo todo.   

Tele. Síntese – A Motorola fabrica setop box também para TV digital. Se for esolhido o padrão japonês, vocês vão fabricar o esse modelo no Brasil?
Ussher – Nos fabricamos setop boxes para o mercado norte-americano, com o padrão norte-americano, e para o mercado europeu, com o padrão europeu. É claro que para nós é mais interessante fabricar o que tem mais escala, mais massa crítica porque conseguimos reduzir custo. Mas vamos nos adequar à decisão brasileira, como outros vão se adequar. Estamos olhando essa questão com carinho. Esse pode vir a ser um segmento de mercado relevante em função da penetração da televisão no Brasil. Mas o tamanho do mercado vai depender do modelo de negócios que vier a ser adotado e do preço do setop box.

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