Área técnica da Anatel considera migração da TVRO para a banda Ku solução mais satisfatória


O superintendente de outorga e recursos à prestação da Anatel, Vinícius Caram, afirmou hoje, 3, que a solução de migração dos canais de TV aberta captada por parabólicas (TVRO) para a banda Ku é “definitiva”, ou seja, mais satisfatória, se comparada à opção de mitigação de sinal. Ele participou de live organizada pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET).

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As alternativas foram elaboradas pela área técnica e entregues em novembro para o Conselho Diretor da agência decidir qual medida será utilizada a fim de permitir a venda de 400 MHz de espectro na faixa de 3,5 GHz. A existência de celulares nesta faixa causa interferências na TVRO, que usa Banda C (acima de 3,7 GHz). Isso exige uma solução para continuidade da TV satelital.

Segundo Caram, os testes de campo realizados pela Anatel mostraram que há um filtro capaz de mitigar a interferência que o celular em 3,5 0GHz causa na TVRO presente em Banda C.

“Fizemos uma análise do ponto de vista técnico, e a área de Competição da agência analisou do ponto de vista econômico para precificar. A mitigação teria um custo de R$ 1,1 bilhão, enquanto a migração para Ku custaria R$ 1,6 bilhão, com a vantagem de solucionar definitivamente a questão. Migrar para a Ku é uma decisão técnica definitiva”, falou.

A solução pela mitigação não tem essa característica porque, segundo ele, exige a liberação de uma quantidade grande de espectro para funcionar como banda de guarda.

“Quando a gente vê a questão da mitigação, essa saída precisa de uma banda de guarda de 100 Mhz entre a faixa de 3,7 GHz e 3,8 GHz, o que é um ponto preocupante. A outra opção dada é a solução da migração, que prevê a entrega de kits Ku para 7 milhões de domicílios, para o radiodifusor transmitir na banda que é usada já no mundo todo para este fim”, ressaltou.

Conselho Diretor da Anatel decidirá

Se a escolha do Conselho Diretor confirmar a visão da área técnica, será uma vitória para o setor de radiodifusão. As associações Abert e Abratel defendem que os canais sejam realocados em satélites Ku, embora a medida seja mais onerosa para os compradores da faixa de 3,5 GHz no leilão 5G que será realizado pela Anatel. As teles, por sua vez, defendem que a mitigação é suficiente, e mais barata, o que permitiria às empresas destinar mais recursos à melhoria da infraestrutura de rede móvel.

Participante do mesmo painel, Ana Eliza Faria e Silva, membro associada da SET e Gerente Senior de Regulatório e Telecom da Globo, ressaltou que, embora o setor queira a migração para Ku, algumas premissas são fundamentais: “O processo de migração para Banda Ku precisa garantir a continuidade do acesso aos sinais e manter a diversidade de conteúdo atualmente disponível.”, disse.

A observação dela vai ao encontro do que dizem as operadoras, que alertaram no passado para o fato de que será preciso manter o sinal de TVRO operando simultaneamente em Banda C e Banda Ku por algum tempo, até que toda a população elegível para receber os kits Ku esteja contemplada.

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