Após dissolução da Telco, Telefônica deverá sair do capital da Telecom Italia


O anúncio da dissolução da Telco, holding controladora da Telecom Italia por meio de bancos e de uma seguradora, além da Teléfonica, na semana passada, deverá ter no médio prazo outros desdobramentos. Na avaliação de analistas – e também de consultores próximos à Telefónica –, ela deverá, no médio prazo, vender as ações que detinha na Telco e que serão transformadas em ações na Telecom Italia, tão logo a operação seja aprovada pela assembleia geral, marcada para o dia 9 de julho, e pelos reguladores da Itália, Argentina e Brasil.

Convencida de que o momento do mercado europeu é de concentração de operadoras,  a Telefónica elegeu, como prioritária, sua atuação na Alemanha, onde no ano passado comprou a E-Plus, da KNP. A operação deverá receber o aval da Comissão Europeia, no início de julho. Além das contrapartidas oferecidas pela Telefónica, a  Comissão Europeia fez outras exigências para aprovar o negócio, como a garantia de oferta de capacidade para três MVNOs. As condições do acordo devem ser anunciadas na quarta-feira desta semana (2). Além de ganhar músculos no mercado alemão – a compra da E-Plus pela O2 transforma a Telefónica no segundo player no país –, a Telefónica fez movimentos em outra direção para diminuir sua alavancagem e reduzir sua dívida líquida. Como a venda recente de sua operação na Irlanda para a 3, do grupo Hutchison Whampoa, por € 850 milhões. A operação ainda depende de aprovação dos reguladores.

A disputa da Telefónica pelo mercado passa também pela América Latina, que já responde por pouco mais da metade de suas receitas. Na região, seu principal competidor é a América Móvil, que lidera o mercado celular. A empresa do mexicano Carlos Slim também já colocou seu pé na Europa, por meio da Telekom Austria. Hoje (30), os dois maiores acionistas da empresa concordaram com a oferta da América Móvil de adquirir 28% das ações da operadora nas mãos do governo austríaco por US$ 2 bilhões. Com isso, a operadora mexicana, que detinha 27% do capital da empresa, passa a ser sua controladora. A expectativa é de que, nesse movimento de concentração no mercado europeu, a América Móvil adquira outras empresas. “Trata-se de uma competição entre gente grande em duas regiões importantes”, diz um consultor da área.

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