Anatel vai avaliar a qualidade do 5G DSS


Embora o ministro das telecomunicações continue a defender que as operadoras deixem de chamar o 5G DSS de 5G, o padrão está cada vez mais solidificado nos regulamentos setoriais. A área técnica da agência concluiu no final de junho sua proposta de Manual Operacional do Regulamento de Qualidade dos Serviços de Telecomunicações, conhecido internamente por MOP. E o documento prevê a aferição da qualidade do 5G DSS, assim como do 5G NSA e do 5G Standalone.

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O MOP traça as métricas para que a agência atribua diferentes selos de qualidade a serviços móveis, de banda larga fixa, de telefonia fixa e de TV paga. O manual estabelece as métricas mínimas para que o serviço tenha a qualidade avaliada, dentro da tecnologia utilizada.

No móvel, o padrão 2G, por exemplo, não será considerado na atribuição das notas. O 4G deverá ter velocidade de no mínimo 5 Mbps e upload de 1,5 Mbps e tempo de resposta (latência) bidirecional de 100 milissegundos.

O 5G DSS recebeu nota de corte própria também, e é idêntica à do 4G: 5 Mbps e upload de 1,5 Mbps e latência bidirecional de 100 milissegundos. Já o 5G NSA e o 5G SA ainda terão os indicadores definidos futuramente. Veja na tabela abaixo a proposta da área técnica.

Serviço

Indicador

Valores de Corte

SMP

IND4
(Velocidades
Download e
Upload)

3G: Download-1.5Mbit/s Upload-500kbit/s;

4G: Download-5Mbit/s Upload-1.5Mbit/s;

5GDSS:  Download 5Mbit/s Upload-1.5Mbit/s;

5G Stand Alone: À definir em revisão posterior.

SMP

IND5
(Latência
bidirecional)

3G: 200ms;

4G: 100ms;

5GDSS: 100ms;

5G NSA e 5G SA: À definir em revisão posterior.

SMP

IND6
(Jitter)

3G: 40ms;

4G: 25ms;

5GDSS: 25ms;

5G NSA e 5G SA: À definir em revisão posterior.

SMP

IND7
(Perda de
Pacotes)

3G: 2%;

4G: 2%;

5GDSS: 2%;

5G NSA e 5G SA: À definir em revisão posterior.

SCM

IND4

Download:10mbit/s Upload: 2mbit/s

SCM

IND5

80ms

SCM

IND6

40ms

SCM

IND7

2%

O texto preliminar desse manual foi encaminhado para votação do Conselho Diretor em 1º de julho e sorteado à relatoria do conselheiro Carlos Baigorri. Estabelece os critérios para aferição dos parâmetros de qualidade previstos no Regulamento de Qualidade aprovado pela agência em 2019.

Banda larga fixa

A mesma tabela mostra o patamar para medição da qualidade dos planos de banda larga fixa (SCM). Os selos de qualidade serão distribuídos às empresas que registrarem no mínimo 10 Mbps, upload de 2 Mbps e latência de 80 ms.

Essas métricas foram alvo de debate intenso nos grupos de trabalho criados na Anatel e que contaram com participação das empresas. As teles reclamaram do valor, queriam que as medições fossem baseadas no plano contratado, e não em um número de referência.

A área técnica, no entanto, entendeu que o melhor seria estabelecer um piso de referência, uma vez que a entrega de um plano de baixa velocidade em sua velocidade máxima não necessariamente atenderá os requisitos de qualidade do Regulamento de Qualidade, como realização de chamadas de vídeo, educação online etc.

Os valor de corte de 10 Mbps “foi entendido como um piso que habilita ao consumidor o usufruto das funcionalidades de banda larga, e que é uma medida compatível com uma banda larga móvel 4G, por exemplo”, explica a área técnica, no relatório enviado ao Conselho Diretor. A métrica pode, inclusive, ser aumentada no futuro, conforme a qualidade geral da internet melhore no país.

Vivo, Oi e Sky ainda propuseram a criação de duas métricas: uma de 3 Mbps para banda larga, e outra para 34 Mbps, a ultra banda larga. A preocupação aqui é com redes legadas ADSL ou pacotes contratados com velocidades inferiores a 10 Mbps. Claro, TIM e Algar discordaram.

A área técnica, no entanto, considerou que tal separação poderia confundir por considerar conexões de 3 Mbps tão aceitáveis quanto as de 34 Mbps. E ressaltou que o consumidor poderá acessar os dados para entender como as empresas desempenham por tecnologia.

As operadoras também reclamaram da coleta de medições via WiFi, através dos aplicativos de crowdsource. Esses apps poderão ser utilizados para a obtenção das métricas das operadoras. Os técnicos da agência notaram, no entanto, após inúmeras comparações com coletores fixos, que os apps trazem um volume de dados que minimiza os “outliers”, ou seja, as medições que ficaram fora das expectativas por conta de interferências no WiFi, distância do roteador etc. Com isso, as medições mesmo via WiFi serão consideradas na nota final da operadora.

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