Anatel quer liberar mais 163 MHz em espectro a operadoras


A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está realizando estudo para identificar quanto de espectro conseguirá liberar para as rede móveis do futuro. No momento, os estudos estão focados em dobrar a disponibilidade até 2020. Hoje, as teles dispõem de cerca de 897 Mhz de espectro. A intenção é que tenham mais de 1.060 Mhz nos próximos anos, de acordo com Agostinho Linhares, gerente geral geral de espectro, órbita e radiodifusão da agência. Este estudo está sendo atualizado.

Segundo ele, essa quantidade de banda é o necessária para funcionamento das redes 4G no país e aumento da demanda por capacidade de rede motivada pelo consumo de vídeo. “Já prevemos um leilão para a faixa de 1,5 GHz nos próximos anos, o que deve liberar cerca de 100 MHz de espectro”.

Antes de haver leilão, porém, há um longo caminho a percorrer. Será preciso rever a regulação, prevendo uso dessas frequência pela telefonia móvel. “A UIT está discutindo possíveis arranjos para uso da banda. Uma possibilidade é destinar apenas para downlink. Estamos esperando qual será a definição”, diz. O Brasil é país da América Latina com mais previsão espectro disponível para as operadoras.

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Convivência com satélites
O uso dos 3,5 GHz deve voltar ao debate. A área técnica da Anatel tem como missão concluir, até junho, uma análise sobre o uso dessa faixa. O que era para ter sido vendido no último leilão de sobras, e foi retirado do certame por risco de interferência em serviços por satélites, passa por estudo para se verifique o impacto sobre serviços próximos. O resultado pode resultar, inclusive, em mudança de regulamento.

A faixa tem que ser utilizada, mas garantindo a convivência com serviços existentes. Não existe previsão de rearranjo de frequência. O uso iria para TDD, com venda de blocos de 5 Mhz por 5 MHz, que podem ser agregados. Sempre garantindo a proteção dos serviços pré-existentes”, ressalta Linhares.

O técnico da agência descartou o uso de altas frequências na faixa de 28 GHz para a próxima geração (IMT-2020, ou 5G) de redes móveis no Brasil. Estados Unidos e Coreia do Sul defendem a destinação dessas frequências para ao SMP. “Nossa Banda Ka trabalha de 27 Ghz a 30 GHz. Deve entrar em consulta pública, nas próxima reuniões [do Conselho Diretor da Anatel], uma identificação adicional limitada para aplicações por satélite, prevendo uso de 500 Mhz por 500 Mhz nessa faixa. Por isso não vislumbramos a faixa de 28 GHz para IMT, neste momento”, afirmou.

A 5G, reconhece, precisará de muito mais. “Para o IMT-2020 [5G], são mais de 30 GHz em frequências a ser analisadas para possível uso”, falou, durante evento ocorrido na manhã desta segunda-feira, 18, em São Paulo. Organizado pela Fiesp, o evento teve como tema “O 5G e o Futuro das Comunicações Móveis”.

[Errata: Ao contrário do que dizia versão anterior do texto, a meta da Anatel é liberar 1.060 Mhz em espectro, e não 1.600 Mhz. A agência não tem, também, cronograma para que parte dos 3,5 Ghz sejam leiloados.]

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