Anatel avalia identificar 100 MHz da faixa de 6 GHz para o 5G


A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) avalia destinar uma parte do espectro de 6 GHz para uso licenciado. Mas não será nem tanto quanto pedem as operadoras, nem o nada defendido por fabricantes de equipamentos WiFi6.

Segundo afirmou hoje, 16, Agostinho Linhares, gerente de espectro, órbita e radiodifusão da Anatel, a agência deverá seguir o que será estabelecido pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), onde circula a proposta de destinação de 100 MHz da faixa para o serviço móvel pessoal.

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Essa banda seria a parte final e mais alta do espectro, de 7025 MHz a 7125 MHz. Ele participou de live realizada pelo Tele.Síntese. Uma decisão será tomada no âmbito internacional apenas em 2023, no entanto, quando acontece a próxima edição da World Radio Conference (WRC-23). Apenas depois a Anatel deve decidir sobre o assunto.

“Muita coisa foi dita, nem tudo está completamente certo, nem completamente errado. O fato é que só os últimos 100 MHz discutidos mundo afora, para que tenha harmonização mundial do que chamamos de Serviço Móvel Pessoal no Brasil, e internacionalmente é chamado de IMT, [está em estudo]”, disse Linhares.

A polêmica surgiu neste ano, quando a Anatel decidiu fechar um “gap” de espectro na faixa de 6 GHz. O Brasil autorizava o uso não licenciado, por equipamentos de radiação restrita, nas faixas de 5925 a 6650, e 6675,2 a 7125 MHz. A decisão do conselho diretor foi adicionar os 25,2 MHz que restavam no meio, passando a considerar o pedaço também para uso não licenciado.

Linhares destaca que isso não significa destinação tecnológica. Ou seja, os 6GHz, como espectro não licenciado para radiação restrita, pode ser usado por diferentes serviços, inclusive o WiFi6E. “Nessa faixa temos milhares e milhares de enlaces ponto a ponto, serviços fixos por satélite, temos varias aplicações. A decisão não foi tirar uma coisa ou destinar para o IMT”, afirmou.

Complemento do móvel?

Celso Birraque, diretor de acesso móvel da Claro, reforçou que as operadoras móveis do mundo todo, inclusive a Claro, consideram fundamental que haja uma parte do espectro da faixa de 6 GHz para uso licenciado pelo SMP. Ele não precisou, porém, se apenas 100 MHz são uma quantidade ideal.

Segundo ele, o 4G já previa a possibilidade de uso conjunto de faixas não licenciadas e licenciadas, em uma tecnologia conhecida como LAA (License Assisted Access), pela qual há agregação de faixas não licenciadas com as licenciadas móveis. O problema é que esse modelo não tem garantia de qualidade de serviço em função do risco maior de interferência sobre faixas não licenciadas.

“Nossa posição é que o LAA não teve um uso massivo por causa da dificuldade grande de controle de interferência. Esse espectro agregado, pouco pode ser utilizado. Ao mesmo tempo, não tem o ecossistema bem desenvolvido porque não é muito usado. Então, nós entendemos que é uma oportunidade reservar parte para uso do SMP, dedicada à tecnologia 5G. Se isso não ocorre, fazer essa combinação do não licenciado para agregar ao 5G, talvez seja algo que não vá muito além”, falou.

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