Analíticos podem favorecer operadoras e programadoras na competição com OTTs


As ferramentas de Big Data podem se transformar em grandes aliadas de programadoras e operadoras de TV por assinatura. E mais um instrumento que pode ajudar a “blindagem” dessas empresas em um ambiente competitivo com as OTTs (Over the top), como já acontece com a adesão ao modelo de TV Everywhere. Alguns desses recursos já estão sendo utilizados pelas companhias, mas a escala deve aumentar significativamente nos próximos anos.

“A Netflix tem curadoria de conteúdo e tecnologia para chegar ao consumidor, o que também temos. Mas tem uma área que ela utiliza bem e que podemos avançar que é o uso de analytics”, afirmou Manuel Belmar, diretor de gestão e CFO da Globosat. Segundo o executivo,  há tecnologia disponível para permitir, por exemplo, o envio de publicidade exclusiva para assinantes de acordo com o perfil e comportamento de cada um.

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Big Data é também um velho conhecido de Gustavo Diament, diretor geral da Turner e que por três anos foi diretor para a América Latina da Spotify, uma OTT que se baseou muito em recursos analíticos para crescer. Ele defende o uso dessas plataformas e conta, inclusive, com uma equipe de BI que trabalha no Esporte Interativo, um dos canais do grupo, e ajuda na composição de uma estratégia. “Sem isso, ficaremos com muita fragilidade frente aos competidores”, afirmou.

Na NET, do grupo América Móvil, há algumas iniciativas “super focadas”, como disse o presidente do grupo no Brasil, José Félix. Isso porque o executivo considera importante que a empresa não se entusiasme com o uso da plataforma a ponto de “não extrair algo prático e utilizável que tenha retorno”. “É preciso tomar cuidado para não criar um motor gerador de custos na empresa, sem uma contrapartida plausível”, alertou.

O Big Data no grupo também tem a função de ajudar no monitoramento da rede móvel , extraindo informações de qualidade do sinal e gerando alertas de problemas antes mesmo que o assinante ligue para reclamar. “Ficamos sabendo com antecedência se um pedaço da rede está se deteriorando”, relatou.

Fernando Medin, vice-presidente executivo e diretor geral da Discovery Networks Brasil, acredita que os analíticos poderão ser de grande valia para os programadores. Mas também tem suas ressalvas ao uso excessivo dessas ferramentas. “Nossa operação tem um aspecto artesanal, se nos apoiamos somente no Big Data podemos saber o que as pessoas querem consumir hoje, mas não o que vão querer amanhã”, ressaltou.

Os executivos concordam que a outra “blindagem” que protege o mercado de TV paga na competição com sistemas de streaming e outros serviços é a adoção do modelo TV Everywhere, com oferta de vídeos sob demanda. “Em um campo de batalha, nossa trincheira é o TV Everywhere”, ressaltou Belmar. A Globosat tem oferta de vídeo on demand desde 2012, com o antigo serviço Muu, mas via Globoplay tem ampliado sua participação nesse mercado. A Discovery, que até agora havia resistido ao modelo, está em fase de  testes nas operadoras para seu novo formato on demand.

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