America Net: uma pequena com muitas ambições


A America Net foi criada há 17 anos como uma empresa de consultoria de redes. Em 2009, quando a opção foi se tornar uma operadora de telefonia e ofertar voz e dados para o mercado corporativo, obteve autorização para modalidade local, longa distância com o prefixo 85 e longa distância internacional. Mas a empresa pensa grande. Este ano abrirá mais quatro escritórios regionais, sendo um em Miami, quer comprar operadoras menores para ampliar sua carteira de clientes e garantir sua licença SeAC para entrar no mercado FTTH.

Com tantas ambições, a America Net investe em infraestrutura própria. Inicialmente, o investimento ficou restrito ao rádio, com a contratação de última milha de terceiros. Mas, diante da pressão da concorrência sobre seus clientes, resolveu, há dois anos, investir em fibra óptica, com a qual já cobre parte de São Paulo, Salvador, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Santos e Campinas.

Com essa infraestrutura e as mudanças regulatórias que favorecem a concorrência, a America Net se prepara agora para avançar no varejo, com oferta de Fiber-To-The-Home (FTTH). O objetivo é proteger sua base de clientes e aproveitar a ausência de soluções de fibra óptica fora de São Paulo e do Rio de Janeiro. “Vamos abrir uma célula para o varejo. Sabemos que, saindo de São Paulo, temos cidades muito mal atendidas”, afirma José Luiz Pelosini, diretor de telecomunicações da America Net, e integrante da diretoria executiva da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp).
 

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Atualmente, a rede de fibra óptica da operadora tem 2 mil quilômetros, mas segue em expansão. A operadora investirá este ano R$ 23 milhões em infraestrutura e novos escritórios. Com foco no mercado corporativo de médias empresas, a America Net contabiliza cerca de 5 mil clientes e uma taxa de crescimento de 60% ao ano, que espera repetir em 2013.

Novos escritórios
Para seguir crescendo no mercado corporativo, a America Net vai abrir três escritórios regionais no Brasil – Espírito Santo , Minas Gerais e Paraná – e o primeiro fora do país, em Miami, ainda este ano. Para o segundo trimestre do ano que vem, estará em operação mais um em escritório em Manaus. “Existe demanda de mercado para abertura desses escritórios regionais. Nosso sistema online mostra para onde as ligações estão saindo. Como o volume de tráfego é muito grande, calculamos que valia mais a pena ter terminação local do que pagar para uma concessionária”, diz.

Após a instalação de um ponto de presença local, a America Net faz a contratação de força de venda local, o que deve acontecer também no Rio de Janeiro, onde as vendas atuais ocorrem a partir de São Paulo.

No caso de Miami, Pelosini explica que o escritório se justifica por conta do número significativo de empresas locais sendo compradas por empresas americanas. Além de se apresentar como opção de conectividade a essas empresas, ele diz que a America Net, ao estar no mercado norte-americano, ganha maior flexibilidade de contratação de banda de internet e para se conectar com operadoras de telefonia fora do país.

Mas além do esforço da America Net em crescer organicamente, com força de venda e novos escritórios regionais, a operadora mantém uma frente de expansão por meio de aquisições e pretende fechar a compra de duas operadoras menores com atuação em São Paulo, com foco nas respectivas carteiras de clientes.

Para Pelosini, existe um filão ainda mal atendido quando se pensa em mercado corporativo. As grandes operadoras atendem as grandes empresas e as pequenas – com o avanço da Net Serviços, neste último segmento –, mas as médias empresas ainda buscam um fornecedor de qualidade. “Estamos com foco no link dedicado, empresa que vai pagar R$ 1,5 mil em um link de internet. Esse é o mercado que enxergamos como desassistido. As grandes todas se voltam para o mercado residencial e o mercado de micro e pequena empresa. Ainda não vemos grande concorrência no segmento de médias. Nós não entramos em disputa com a Net Serviços. Nossos clientes têm 30 linhas digitais, a Net Serviços oferece duas”, pondera Pelosini.

Atenta às tendências no atendimento ao mercado corporativo, em que as grandes teles avançam para oferta de nuvem e constroem data centers para os clientes empresariais, a America Net se prepara para combinar a oferta de conexão com soluções de tecnologia da informação. Com um data center na Faria Lima, seu principal nó de rede, a operadora fechou acordo com a Dell SonicWall para oferecer segurança e firewall como serviço. No mês que vem, iniciará a oferta de um backup inteligente, em que a America Net aumenta a velocidade de conexão para esse tipo de atividade, que pode ser combinada com uma oferta de cloud.

Empresa pequena com grandes ambições em um mercado intensivo em capital, a America Net afirma que consegue financiar seus planos ao reverter todo o lucro para a expansão do negócio, movimento que se repetirá nos próximos dois anos. Daí para frente, a companhia não descarta buscar um fundo de investimento ou optar por um IPO para manter o ritmo do aporte. A meta é chegar a 2015 cobrindo 80% do território nacional.
 

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