América Móvil vai reduzir seu market share no mercado mexicano para menos de 50% por meio da venda de ativos


No mesmo dia da aprovação, pela Câmara Federal, da nova lei para o setor de telecomunicações e radiodifusão do México (ela foi aprovada pelo Senado na madrugada do último sábado), a América Móvil anunciou ontem (8) que foi autorizada pelo seu conselho a reduzir a sua participação no mercado de telecomunicações daquele país para menos de 50%. A nova lei prevê que as empresas com mais de 50% de participação nos dois mercados serão consideradas com poder de mercado relevante e sujeitas a regras assimétricas, para coibir práticas monopolistas. O grupo tem 80% do mercado de telefonia fixa e 62% do mercado de telefonia celular no México.

O movimento da América Móvil, na avaliação da Merrill Lynch, se dá na direção correta. De acordo com o relatório, não se sabe ainda exatamente quais ativos serão vendidos e para quem. Certamente estarão entre eles as torres (a Merrill Lybch estima que tenha 29 mil torres no México, incluindo 16 mil da rede 3G) e a estrutura passiva que compõe os sites da telefonia celular, cujo valor é calculado pela consultoria em US$ 9 bilhões com base nas recentes operações envolvendo esse tipo de ativo.

Na avaliação de outros analistas, a venda desses ativos poderá aumentar entre 6 e 8% o valor das ações da operadora. As ações tiveram queda, ao longo deste ano, de 11% no mercado mexicano e de 10% no dos Estados Unidos.

Em seu sucinto comunicado, a operadora diz que gostaria que o comprador de seus ativos fosse uma empresa com experiência no setor, com recursos técnicos e financeiros, para que ela possa continuar usando a infraestrutura, por meio de aluguel, para prestar serviços convergentes. Ela não disse quando será iniciada a venda de ativos.

Aprovação
A decisão da América Móvil — ou seja, as medidas que pretende adotar para deixar de ter mais de 50% do mercado — ainda precisará ser aprovada pelo regulador mexicano. Na opinião de analistas, tudo vai depender de como o regulador vai olhar o mercado. Se vai considerar o poder relevante no país como um todo, ou por região, já que lá a concessão é regional.

Essa avaliação faz sentido se forem procedentes as análises de que a empresa pretende se desfazer de operações pouco rentáveis, em áreas rurais, concentrando-se nas grandes cidades. Haveria interesse na compra dessas operações por fundos de investimentos, de acordo com essas análises.

A pressa da América Móvil em anunciar sua estratégia tão logo a lei foi aprovada se deve ao fato de que, se for considerada PMS, só poderá, por exemplo, entrar no mercado de radiodifusão depois de se adequar às novas regras. Além disso, terá que compartilhar sua infraestrutura com terceiros.

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