Alternativas para ampliar a expansão do acesso


{mosimage}Depois de registrar um forte incremento no ano passado, a área de serviços da Ericsson mantém-se bem otimista para este ano de 2006. Entre as apostas, segundo Edmilson Toledo, vice-presidente de serviços da empresa, estão o aumento da oferta de conteúdos audiovisuais pelas redes fixas e móveis e a expansão da telefonia celular para as áreas rurais.

Depois de registrar um forte incremento no ano passado, a área de serviços da Ericsson mantém-se bem otimista para este ano de 2006. Entre as apostas, segundo Edmilson Toledo, vice-presidente de serviços da empresa, estão o aumento da oferta de conteúdos audiovisuais pelas redes fixas e móveis e a expansão da telefonia celular para as áreas rurais.

Tele.Síntese – A Ericsson, tradicional fabricante de equipamentos, está, cada vez mais, dedicada à área de serviços. Como você vê o desempenho desse segmento no mercado brasileiro?
Edmilson Toledo – A Ericsson comunicou, em dezembro, o crescimento de 50 % de sua área de serviço, um resultado bastante importante  para nós, pois representa um crescimento em um patamar que já era significativo. Este ano, o mercado brasileiro continuará aquecido. Alguns analistas apontam que o crescimento da telefonia celular no Brasil ficará entre 12 milhões e 15 milhões de novos usuários, o que é ainda um número muito importante. Mas esse crescimento será inferior ao dos dois últimos anos. Isso significa que haverá uma disputa maior pelos usuários já existentes. Estamos nos preparando para auxiliar essas operadoras a gerar mais receitas com a base de clientes já existente.

Tele.Síntese – Tem-se falado que a convergência se dará no terminal e não na rede. Como você vê esse processo?
Edmilson Toledo – A convergência  tem muitas dimensões. Na convergência de plataformas, por exemplo, podemos imaginar que, a partir deste ano, as operadoras de telefonia fixa comecem a fazer a  modernização de suas redes, depois dos maciços investimentos  na universalização. Isso significa que elas podem apostar na NGN ou em protocolo IP de lans, fazendo com que as redes se falem de ponta a ponta. Com essa alternativa, elas podem oferecer novos serviços e, mesmo, adaptar parte de seus custos. A grande questão é como aproveitar as plataformas fixas e móveis existentes. 

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Também  podemos estar falando de convergência de serviços, convergência de tarifação, do que vai estar disponível para o usuário final. A convergência pode permitir tanto a flexibilidade para novos lançamentos, quanto para reduções de custos, que são vertentes importantes.

Tele.Síntese – Redução de custos para quem? 
Edmilson Toledo – Para a operadora e, em decorrência, para o usuário final. Por exemplo: fala-se que, em breve, a telefonia celular, ao atingir 45% da população brasileira, chegaria ao seu limite.

Mas esse limite depende de quanto custa o serviço. Estamos  buscando experiências mundiais que apontam para novas alternativas. Existem exemplos em países similares ao Brasil, ou até com PIB ou Arpu (conta média) inferioresonde as operadoras têm registrado lucros. Uma das hipóteses que temos conversado com as operadoras é, por exemplo, a telefonia rural pelo celular. Novas oportunidades de negócios estão surgindo. Outra alternativa que oferecemos é, por exemplo,o hosting, que torna disponível, para as operadoras, a plataforma e os aplicativos de serviços gerenciados, de maneira que passem a contar não apenas com  a flexibilidade tecnológica, mas, também, com a flexibilidade comercial. 

Tele.Síntese – As operadoras móveis brasileiras afirmam que a comunicação de dados ainda gera poucos resultados financeiros. Quando você fala em conteúdo, a que está se referindo?
Edmilson Toledo – Em dezembro, anunciamos alguns contratos na área de disponibilidade de conteúdo de TV. Isso significa que o usuário móvel passa a ter acesso a pedaços de programas de TV. Embora a receita de dados não ultrapasse um dígito, há uma tendência muito forte de que, no período máximo de dois anos, essa receita chegue à faixa de dois dígitos, tornando-se importante para as empresas.

Mas, para incrementar esse serviço, precisamos saber o que os consumidores querem. Criamos, na empresa, uma área dedicada, exclusivamente, a estudar o comportamento do consumidor.

Tele.Síntese – Qual é o perfil do consumidor brasileiro?
Edmilson Toledo – O brasileiro gosta de novidades. Ele não cria barreiras para fazer algo diferente ao que estava acostumado. Há um potencial latente bastante interessante. Mas o custo dos serviços é o primeiro desafio. Brincamos na empresa com o tal dos “dois reais”. Se o serviço custar R$2,00, conseguimos vender quase tudo. Se custar R$ 20,00, fica inviável.

Atualmente, dois terços da receita de dados da telefonia móvel são provenientes do short message. Hoje em dia, mandar um torpedo é muito fácil. Mas é possível que, em pouco tempo, a música no celular, que é um sucesso internacional, também se consolide internamente. O e-mail é outro aplicativo que deve ser visto com interesse. A Oi fez um acordo conosco para a transmissão de e-mail nos celulares de faixas médias e altas, e as curvas de crescimento são consistentes. 
O segundo desafio a enfrentar é o fato de que o conteúdo é perecível.     

Tele.Síntese – Como a Ericsson faz a ponte entre o produtor do conteúdo e as operadoras de telecomunicações?
Edmilson Toledo – Nós viabilizamos a interação entre o produtor e o operador. Por exemplo, firmamos acordo mundial com a Sony Music. Isso significa que, ao oferecermos esse serviço para a operadora, já analisamos o conteúdo que atenderia ao mercado brasileiro, já resolvemos todas as questões relativas ao direito autoral, já firmamos acordos para as atualizações. Para os provedores de conteúdo,  fazemos a sua conversão, para que possa ser visto na tela do celular, ou em qualquer outro aparelho.  

Tele.Síntese – Os acordos internacionais estão mais ou menos resolvidos. E quanto aos produtores nacionais?
Edmilson Toledo – Já fizemos acordos com algumas rádios brasileiras (como a Jovem Pan) e, no jornalismo, com a rede Bandeirantes. Nós tornamos disponível a força de nossa equipe – uma centena de profissionais das áreas de informática e telecomunicações – para resolver questões práticas. Por exemplo, é preciso fazer o controle de quem acessou ou não um conteúdo específico; como se dá a habilitação e a desabilitação ao serviço; como tornar amigáveis os serviços disponíveis. Para acessar o e-mail, em nossa solução, basta girar o botão. Ninguém precisa ser um especialista em programação de celular para enviar uma mensagem. O usuário quer facilidade, e isso demanda um grande trabalho na retaguarda.

Tele.Síntese – Há diferenças de soluções para as redes móveis e fixas?
Edmilson Toledo – Sim. Até diria que o crescimento do celular  ofuscou um pouco o trabalho que desenvolvemos para as redes fixas. Fazemos também muita pesquisa para esse segmento. As empresas de médio e pequeno porte formam um mercado importante que ainda precisa ser atendido. O aumento de velocidade nas redes fixas já é uma demanda efetiva. Quando se fala em começar a transmitir imagem em movimento significa que há um desafio para a modernização tecnológica e, também, uma oportunidade de incremento de receita.

Tele.Síntese – Todo mundo está falando em WiMAX. Você acha que há espaço para as operadoras de TV por assinatura disputarem o mercado com essa nova tecnologia?
Edmilson Toledo – Há um espaço importante. Houve uma grande expectativa se as TVs a cabo americanas tomariam o mercado. Mas,  observamos que as oportunidades podem ser aproveitadas em diferentes nichos de mercado. Nós também estamos estudando o WiMAX. Não sei dizer, qual é o seu potencial. Parece uma tecnologia muito interessante, que  vai fazer sucesso e ter vida longa, mas ainda não sabemos, com certeza, qual será o seu comportamento. 

Tele.Síntese – Há quem acredite que o WiMAX pode ser uma boa solução para a telefonia rural.
Edmilson Toledo – Se se confirmar, pode ser um mercado importante. As tecnologias são muito vivas. Por exemplo, a Ericsson anunciou o HSDPA (high speed downlink packet acess), a evolução do GSM, e que permite chegar a até 14 Mbps de velocidade. Estamos falando em fazer o uplink em 3 Mbps e o downlink em 14 Mbps. Essa alta velocidade vai criar novas oportunidades, mas também novas demandas das operadoras móveis, inclusive no controle e desenho da rede.

Tele.Síntese – Há um movimento grande em relação à TV digital. De que forma a implantação desse novo serviço vai interferir nos serviços que vocês prestam para as operadoras de telecomunicações?
Edmilson Toledo – Normalmente, quando aparece uma tecnologia nova, ou uma nova empresa, a tendência é que o mercado fique maior.  Sob esse ponto de vista, a perspectiva é bem positiva. A partir do momento em que as pessoas se acostumam com a interatividade,  ela  irá ser cada vez mais usada seja no celular, na rede fixa, na TV a cabo ou na TV digital. E esse movimento é muito promissor.

Tele.Síntese – Vocês estão preparados para a chegada desse novo serviço?
Edmilson Toledo – Nós temos vantagens por sermos líderes e atuarmos nos mercados de todo o mundo. Não sabemos qual o padrão de modulação que será escolhido para a TV digital brasileira, mas, qualquer que seja ele, nós iremos nos posicionar nesse mercado.

Tele.Síntese – Quando vocês buscam conteúdos que consigam encantar o usuário, qual é a maior dificuldade? É técnica? Ou cultural?
Edmilson Toledo – As duas questões são desafiadoras. Como estamos entrando numa fronteira nova, onde não se pode contar com as experiências anteriores, fazemos muita pesquisa,  nossos consultores  tentam prever o que vai ser bom ou não. Mas não é simples. Às vezes, uma música vira o maior sucesso no celular, e não sabemos bem o porquê. Não é muito simples saber, antes de o serviço ser lançado, se ele vai ser sucesso ou não. E temos que ajudar a operadora, identificado o sucesso, a lançá-lo rapidamente.

Há um fenômeno cultural, que podemos chamar de “picos de novidade”. Um novo serviço é lançado e ele faz um sucesso danado entre os adolescentes, mas um sucesso que dura dois meses. Ele adora aquilo por dois meses, depois o abandona. A operadora tem que estar pronta para lançar outro serviço para substituí-lo rapidamente.  cliente vai exigir mais velocidade de toda a indústra.

Descobrir o serviço, estabelecer o preço certo e logo depois lançar outra coisa, é um desafio não só para a indústria de telecom, como para a indústria de mídia.
Mas esse trabalho é importante porque esses serviços não são apenas importantes fontes de receita, mas também de fidelização.

Tele.Síntese – Quais são seus clientes atuais?
Edmilson Toledo – Estamos conversando com o mercado inteiro, mas anunciamos contratos com a Oi, a Claro e a Telemig Celular.

Tele.Síntese – Não há problemas com a competição acirrada?
Edmilson Toledo – O interessante é isso mesmo. Nós viabilizamos a plataforma, mas a operadora tem o mandato do processo. Isso significa que, apesar de usarmos a mesma plataforma, a visão, para o usuário final, é muito diferente. O trabalho é absolutamente dinâmico. A indústria móvel está adicionando 20 milhões de usuários todo o ano, e, ao mesmo tempo, tem que manter a qualidade, controlar os índices de queda, acompanhar a migração dos usuários, que no carnaval vão para um lado, no Natal, para outro, no dia das mães falam muito mais. E todo esse movimento está aliado a oferta de novos serviços.

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