A Algar abraça a Bitcoin na recarga de pré-pago


O Tele.Síntese está publicando semanalmente duas reportagens sobre as tendências e inovações em telecomunicações. O conteúdo completo está no Anuário Tele.Síntese de Inovação 2017, que além de apontar os rumos do setor, elegeu os serviços mais inovadores do último ano. Confira, abaixo, como a Algar foi considerada uma das operadoras mais inovadoras por acrescentar ao seu sistema de recarga de créditos no pré-pago a moeda virtual Bitcoin.

Moeda virtual na recarga de pré-pago

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“Além da praticidade para o cliente, no pagamento com bitcoin não se paga taxa”, diz João Henrique Souza Pereira, especialista em Inovação

Quando se fala em inovação na Algar Telecom, o ditado popular de que tamanho não é documento cai como uma luva. A operadora regional, com sede em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, nada fica a dever às grandes operadoras, inclusive estrangeiras que operam no país. Está sempre na vanguarda das tecnologias e, muitas vezes, com soluções próprias e surpreendentes.

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Desde 2007, conta com um programa de inovação; em 2010, o tema passou a fazer parte do planejamento estratégico da empresa; em 2013, criou o IMO (Innovation Management Office), com uma equipe de profissionais exclusivamente dedicados ao tema, que tem por objetivo alavancar a criação de ideias e a execução de protótipos e projetos de inovação em toda a organização. De lá para cá já foram apresentadas 410, as quais geraram 56 protótipos e 23 projetos, de acordo com o site da empresa.

Este ano, em agosto, a Algar Telecom inaugurou o Centro de Inovação Digital, o Brain, para criação de novos produtos e modelos de negócios. A partir do Centro, a empresa pretende ampliar os investimentos em quatro áreas: IoT, cyber security, cloud e digital.

Uma das ideias inovadoras é a que foi premiada na Categoria Operadoras do Anuário Tele.Síntese de Inovação em Comunicações 2017. Trata-se do uso da moeda virtual bitcoin pela plataforma de pré-pago da empresa, inovação desenvolvida pela equipe interna da Algar Telecom a partir da ideia apresentada por um colaborador. O objetivo do projeto, segundo João Henrique Souza Pereira, especialista em Inovação do IMO, foi utilizar as vantagens da criptomoeda como uma nova modalidade de pagamento para a recarga de créditos pré-pagos dos clientes da Algar Telecom.

“A recarga convencional, por cartão de crédito ou dinheiro, utiliza gateways que cobram altas taxas para a realização do serviço e demoram para repassar os valores. Com o bitcoin, o valor cobrado é repassado integralmente, sem dedução de taxas ou qualquer outro gasto”, aponta Pereira, ao destacar uma das vantagens da inovação.

Chegar ao protótipo de uso do bitcoin só foi possível porque a equipe de P&D da Algar Telecom desenvolveu, em 2013, uma plataforma de pré-pago com tecnologia própria. “É a única de tecnologia nacional que existe no país”, conta Pereira.

Um parceiro da Algar Telecom, a Bitcointoyou, proveu a API (Application Programming Interface)
necessária para permitir à plataforma de recargas de celular da operadora fazer o recebimento de
bitcoins dos clientes. Mas o grande desafio tecnológico, observa Pereira, foi introduzir uma nova política monetária digital, totalmente descentralizada e aberta, para escolha dos usuários dentro dos sistemas da empresa, principalmente por se tratar de um assunto pouco difundido dentro da corporação.

Criptomoeda

O assunto não só é pouco conhecido, como polêmico – afinal, estamos falando de uma moeda autorregulada. O bitcoin foi criado em 2008 e as transações com a moeda são realizadas com códigos cifrados que circulam na internet. A rede atua como supervisora e verifica que um bitcoin não pode ser gasto, ao mesmo tempo, em dois lugares distintos. Os usuários podem “criar” bitcoins por meio de um complexo sistema de processamento, ou seja, emprestam os recursos de máquina para o processo e recebem em bitcoin. Mas o número de bitcoins a ser criado está limitado, desde que surgiu a moeda, em 21 milhões de unidades – e essa seria a forma de controle do sistema.

Hoje, estima-se que 250 mil brasileiros utilizam, ou já utilizaram bitcoins, de acordo com da FlowBTC, uma plataforma de negociação de moedas digitais. Mas o potencial de crescimento é grande, aponta Marcelo Miranda, executivo da plataforma. É de olho nesse potencial que a Algar Telecom decidiu se adiantar e preparar sua plataforma de recarga para receber a moeda virtual bitcoin.

Qual a vantagem de estar um passo à frente? A utilização do protocolo de criptografia do bitcoin possibilita interagir com uma tecnologia digital que reproduz em pagamentos eletrônicos a eficiência dos pagamentos em cédulas, diz o analista em inovação da Algar Telecom. E elenca: “Além disso, os pagamentos com bitcoins são rápidos, baratos e sem intermediários. Com os bitcoins, os clientes também não precisam cadastrar seus dados pessoais, como o número do cartão de crédito, nem têm que se deslocar para recarregar o celular se for o caso. Tudo pode ser realizado com a utilização da blockchain, como sendo a estrutura de dados que representa uma entrada de contabilidade financeira ou um registro de uma transação criptografada altamente confiável”.

A Algar Telecom testou o protótipo de uso de bitcoin para recarga de pré-pago com algumas comunidades do mundo digital de Uberlândia, como empresas startups e desenvolvedores de software. O protótipo foi aprovado. Agora, a empresa prepara, para 2018, o lançamento comercial da plataforma de recarga de pré-pago com facilidade de pagamento por bitcoin.

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