Abinee: redução da tarifa de importação afeta investimentos e reindustrialização


Humberto Barbato, presidente da Abinee - divulgação
Humberto Barbato, presidente da Abinee – divulgação

A nova redução da tarifa de importação afeta investimentos e a reindustrialização do país, segundo a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).

“Mais uma vez, o setor eletroeletrônico é surpreendido com a redução em 10%, a partir de abril, do Imposto de Importação sobre bens de informática e de telecomunicações, como computadores, tablets e celulares, e sobre bens de capital. Os dois segmentos foram os primeiros a serem atingidos pela medida em março de 2021”, diz a entidade, em comunicado.

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Na ocasião, o governo havia assumido o compromisso de não promover novas reduções, enquanto não fizesse um corte horizontal similar nas tarifas de outros segmentos, que alcançassem os insumos. Segundo a Abinee, embora esses itens tenham passado por redução no final do ano passado, uma nova redução dos bens finais deve estar condicionada a uma outra rodada de cortes dos insumos.

“Se em outros governos se escolhiam vencedores, no atual parece que se escolhem perdedores”, diz o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

Reuniões

A associação diz que tem mantido reuniões periódicas com o ministro Paulo Guedes e que a nova redução do Imposto de Importação não havia entrado em pauta.

“Essa decisão, anunciada outra vez de forma intempestiva, quebra a confiança no diálogo e aumenta a insegurança jurídica, o que afeta qualquer intenção de investimento e de reindustrialização no país”, afirma Barbato.

“Dado nosso frequente diálogo com o ministro Paulo Guedes, esperávamos que fossemos previamente comunicados a respeito”, diz.

O presidente da Abinee também afirma que as medidas para equacionar os itens do custo Brasil, que oneram a produção nacional, embora estejam acontecendo, não estão sendo implementadas no mesmo ritmo da redução da tarifa de importação.

Ele observa ainda que a decisão também vai na contramão dos movimentos de Estados Unidos e alguns países da Europa. Nesses lugares, acontece a “promoção de medidas para a atração de investimentos produtivos, principalmente os voltados a alta tecnologia, como forma de diminuir vulnerabilidades e a dependência chinesa, evidenciada desde o início da pandemia, e agora agravada pela guerra entre Rússia e Ucrânia”.

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