A manobra é do PMDB. O prejuízo, das teles.


Se a imagem das teles já era ruim junto aos movimentos ativistas da sociedade civil, ficou ainda pior esta semana, com a nova manobra do blocão, liderado pelo PMDB da Câmara, para adiar a votação do Marco Civil da Internet. O adiamento foi articulado pelo líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha, para pressionar a presidente Dilma a abrir mais espaço para o PMDB no primeiro escalão e a liberar as emendas parlamentares.

Embora as teles nada tenham a ver com isso, o novo adiamento é creditado, nas redes sociais, “à tropa de choque das telefônicas”. Não se trata de mera falta de informação dos ativistas. É que no ano passado, o deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), atuou sim, como representante da posição das teles no que se refere à neutralidade da rede nos debates sobre o projeto de lei do Marco Civil, que tem como relator o deputado Alessandro Molon (PT/RJ). Foi o principal porta-voz na defesa de que as teles deveriam ter o direito de vender pacotes diferenciados em velocidade de capacidade a preços diferenciados. Sua ligação com o setor de telecomunicações vem de sua vida profissional: Cunha foi diretor da ex-estatal Telerj.

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Só que a aliança com Eduardo Cunha, se foi útil nos debates de 2013, tornou-se difícil a partir do momento em que as teles fecharam um acordo com o relator Alessandro Molon, em reunião, realizada em janeiro, em que também estiveram presentes os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Ideli Salvatti, das Relações Institucionais. O relator inclui a reivindicação das teles na exposição de motivos. Satisfeitos com o acordo, executivos de operadoras se surpreenderam no dia seguinte quando Cunha manobrou para adiar a votação, insistindo em que a venda de serviços de banda larga a preços diferenciados em função da velocidade e da capacidade tinha que estar prevista também no corpo do decreto.

A saia justa das teles em relação ao Marco Civil da Internet continuou esta semana como a nova manobra de Cunha. Para a sociedade civil, são elas que estão por trás das manobras e não o apetite do PMDB por cargos e verbas. Cada aliança tem seu preço. Portanto, é bom avaliar os aliados, antes de se formalizar os acordos.

 

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