A Comsat cresce mais do que o mercado setorial


{mosimage}Desde que chegou ao Brasil, com a compra da Villares Control, a subsidiária local da Comsat vem ajustando seu foco para atender à evolução do mercado. No início, projetos wireless, de comunicação por satélite ou por rádio levaram à construção de backbones e pontos de presença das redes wireless. Após 1998, investiu na construção de um backbone óptico. E desde a aquisição da Vicom, em 2004, o crescimento da empresa vem sendo vertiginoso, afirma o seu presidente Luiz Sá.

No país desde 1994, a empresa tem sede em Hortolândia (SP) e escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília, além de pontos de presença e centros de atendimento técnico em mais de 30 cidades. Entrou no Brasil com a aquisição da divisão de comunicação por satélite da antiga Villares Control, no país desde a década de 80. Inicialmente, concentrou sua atuação em  projetos wireless, de comunicação por satélite ou por rádio, razão pela qual montou os backbones e os pontos de presença das redes wireless que cobrem as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas.
Após a abertura do mercado em 1998, a Comsat investiu pesado na construção de um backbone óptico que interliga as principais cidades do país, assim como também provê conectividade a países estrangeiros. Dos PoPs de São Paulo e do Rio de Janeiro partem conexões internacionais, destinadas aos Estados Unidos e à Argentina. Em Hortolândia, está instalada sua maior operação, incluindo teleporto, datacenter, centro de operações (NOC) e o Laboratório de Reparos. A Comsat também opera um teleporto no Rio de Janeiro. Em entrevista ao Tele.Síntese, Luiz Roberto Veiga de Sá, presidente da subsidiária brasileira, conta como foi a sua expansão, e por que ela cresce mais do que o conjunto do mercado. (A companhia não divulga resultados locais.)

Tele.Síntese – Como vêm evoluindo os negócios da empresa no país?
Luiz Sá – Vertiginosamente. Em 2004, a Comsat praticamente duplicou sua operação no Brasil, através da aquisição da Vicom. Temos uma equipe de 350 funcionários no Brasil. Aqui, crescemos em ritmo maior do que o setor. Em 2004, essa evolução foi de 29%. Em 2005, de 74%. Neste ano, o ritmo continua forte. No primeiro trimestre, 99% das nossas previsões foram atingidas.

Tele.Síntese – Por favor, explique como uma empresa tradicional de satélite consegue ter uma expansão tão rápida?
Foto: DivulgaçãoLuiz Sá – Temos uma série de vantagens competitivas, entre elas o fato de que poucos provedores podem oferecer uma rede que atenda toda a América Latina, e o Brasil é um ponto focal para qualquer companhia multinacional que atue na região. Sendo que também chegamos aos Estados Unidos e toda a América Central. E, hoje, embora a maior parte de nossa receita seja produzida por serviços satelitais, convém destacar que os preços desse segmento caíram, e que as suas ofertas estão tecnicamente melhores, com mais velocidade, compatibilidade IP total. De mais a mais, para demandas como processamento centralizado, satélite é o meio mais indicado, o mesmo para contingência. Podemos, ainda, alocar com compartilhamento, o que permite aproveitar a banda e balancear a rede a um custo acessível e com desempenho garantido.

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Tele.Síntese – Assim, o satélite continua a ter mil e uma utilidades?
Luiz Sá – É um meio indicado, também, para distribuir releases de software – basta apenas uma transmissão, e a atualização está feita. O mesmo se aplica a comunicação corporativa – vídeo para treinamento, mensagens. Em resumo, com um bom mix, é possível criar um ambiente interativo fantástico.

Tele.Síntese – Além do satélite?
Luiz Sá – Somos, principalmente, um integrador, e totalmente agnósticos em matéria de meios. Trabalhamos com qualquer tecnologia, a que for melhor para o cliente. Assim, por exemplo, uma operadora tanto pode usar nossos serviços satélites para cumprir suas metas de universalização (caso da Telemar, com mais de 2 mil pontos), como o nosso link internacional para atender seus clientes corporativos.

Tele.Síntese – A política de crescimento da Comsat tem alguma característica própria?
Luiz Sá – Crescer via aquisições que complementem nossas ofertas é uma delas.

Tele.Síntese – Como se distribui a receita da companhia?
Luiz Sá – No mercado local, 35% do faturamento são gerados com serviços de satélite; 25% com redes corporativas (frame relay, MPLS IP, ATM, clear channel); 18% com serviços técnicos (manutenção, instalação e reparos); 12% com broadcast; e 10% com internet e datacenter.

Tele.Síntese – Quem são os clientes Comsat?
Luiz Sá – Temos mais de 2 mil clientes na América Latina, cerca de 450 no Brasil, entre corporações, operadoras e prestadores de serviços, governo e empresas de radiodifusão. Fazem parte de nossa carteira Cargill, Petrobras, Allied Domecq e Pernod Ricard. Além da  Microsoft, Wal-Mart, Coats Corrente, Caterpillar, Gol, IBM, Oracle, Sun, Alitalia, Esso, Adidas, Bridgestone e UBS, entre outros.

Tele.Síntese – Quais os conquistados em 2005?
Luiz Sá – Microlins, Inter TV, Stolt Offshore, El Paso, Coats Corrente, Grupo Paranapanema, Edusat.

Tele.Síntese – Como está a base instalada Comsat?
Luiz Sá – Desde o início de 2005, vimos quadruplicando o número de pontos de rede atendidos. Com a aquisição da Vicom e a participação nos projetos Gesac e CEF, serão 20 mil pontos de rede atendidos, em todo o país. Até março de 2006,  eram atendidos 11 mil pontos. Nós teremos cerca de 20 mil terminais banda larga por satélite em operação, na América Latina, até o final deste ano. Atualmente, temos 180 Pontos de Presença (PoPs) na América Latina, 64 PoPs no Brasil. Aqui, nossa equipe é formada por 350 funcionários.

Tele.Síntese – A empresa presta algum outro serviço?
Luiz Sá – Temos um laboratório de manutenção e reparos de equipamentos de telecomunicações, que recebeu investimentos de  US$ 5 milhões. Nele, prestamos serviços a produtos como roteadores e rádios. Além disso, estamos expandindo nossa atuação para outras áreas do mercado, como a interligação de estações radiobase de operadoras celulares, o que já fizemos para uma empresa do estado de São Paulo.

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