Concessionárias de energia ampliam coro por espectro exclusivo


O secretário de Energia do MME, Fábio Alves, e o diretor da diretoria da Aneel, André Patrus, engrossaram o coro ao lado das concessionárias de energia elétrica para que a Anatel libere uma licença exclusiva para a oferta de banda larga para o setor. Esse debate também será travado na Citel e UIT.

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Cerimônia de abertura da UTCAL Summit 2017, que se iniciou hoje, 05, em Salvador (BA) (Foto de Edgar de Souza – Divulgação)

Salvador (BA) – As concessionárias de energia elétrica querem um naco do espectro radioelétrico para ter banda larga confiável. E já começam a angariar apoios em diferentes esferas do governo brasileiro e de fóruns internacionais para buscar convencer os reguladores a alocar  faixa exclusiva para a prestação de serviços em missões críticas.

Na UTCAL Summit 2017, que está sendo realizada em Salvador (BA) este ano, a frequência foi um dos temas em debate pelas empresas de utilites e angariou o apoio de diferentes agentes do governo brasileiro para essa bandeira. Para o secretário de Energia do Ministério das Minas e Energia, Fábio Alves, atualmente, todos dependem da informação, e muito mais as empresas de energia, que não podem mais prescindir de dados. “A rede elétrica precisa cada vez mais ter redes confiáveis, até mesmo para não deixar o WhatsApp cair, e para ter segurança em nossas missões críticas”, afirma Alves.

A Aneel, por sua vez, que defende a neutralidade tecnológica, apoia o movimento do setor energético. Para André Patrus, assessor da diretoria, a agência apoia a destinação de frequências específicas para esse fim. E as razões para isso, explicam diferentes interlocutores presentes ao evento, é que hoje há inúmeras situações críticas que não podem esperar pelo atendimento das operadoras de telecomunicações. Por exemplo, se cair a luz em uma fazenda com criadouro de frangos, as companhias de energia elétrica não podem esperar duas ou três horas para as operadoras de celular religar os seus sistemas, pois  toda a produção morreria.

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Há ainda outro problema, aponta Ricardo Serra, da Siemens. A rede IP e a própria regulamentação de telecomunicações impedem que as empresas de telecomunicações deem preferência ao tráfego das empresas de utilities, o que por si só justifica uma frequência exclusiva. “O menino do Facebook trafega o dado no mesmo grau de importância do que um serviço crítico de uma empresa de energia elétrica”, ressaltou.

Mas para José Paulo de Oliveira, diretor do Setor Público da Cisco, o risco de uma frequência exclusiva é acabar esperando demais para que as soluções apareçam, enquanto as frequências abertas oferecem muito mais oportunidades de as soluções avançarem com mais rapidez. “O importante é que essa discussão não crie barreiras para o desenvolvimento das soluções”, advertiu.

O presidente da Cisco, Laércio Albuquerque, assinalou que pesquisas recentes apontaram, por exemplo, que em 2020 60% da IoT ainda será usada pelas corporações para melhorar a produtividade e a eficiência das empresas, e não para atender os anseios dos consumidores, em um exemplo do quanto ainda deve ser feito.

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