5G: Positivo Servers prevê “tsunami” de pedidos por servidores de edge computing


A 5G terá um efeito multiplicador sobre a economia, alegam diferentes estudos de fabricantes, de consultorias e do governo. Mas, na prática, que empresas vão se beneficiar indiretamente da chegada da infraestrutura do 5G? Aquelas que fazem hardware computacional são fortes candidatas.

Ao menos essa é a aposta de Silvio Campos, CEO da Positivo Servers & Solutions, empresa que produz servidores para data centers da Positivo Tecnologia. A unidade conta com sua capacidade de fazer equipamentos em três plantas – duas em Ilhéus, na Bahia, e outra em Manaus, no Amazonas – beneficiadas por descontos tributários obtidos por meio da adequação ao processo produtivo básico (PPB) para competir na área.

Poder de fogo, a empresa tem.  Gerou receita de R$ 238 milhões em 2020, um crescimento de 29% em relação a 2019, graças à digitalização forçada pela pandemia de covid-19, que levou a distanciamento social e aumento do trabalho remoto. Para este ano, o crescimento seguirá forte, em dois dígitos, diz o executivo. A empresa tem 11% de market share em servidores e concorre com grandes competidores globais como Dell e HP. A participação de mercado em servidores de alto valor (acima de US$ 25 mil) é ainda maior: 40%.

Obviamente o servidor edge não é igual ao servidor para data center. Para ter um produto viável, a Positivo Servers fechou parceria com a norte-americana Supermicro, de quem reproduz tecnologia para supercomputadores, servidores para aplicações em nuvem e, agora, borda computacional de redes de telecomunicações.

“A entrada do 5G é para nós a extensão natural do data center. Temos a cessão de tecnologia da Supermicro, que tem uma linha completa e complexa para edge computing. Temos servidores que podem ser colocados no poste, por exemplo. Já há demanda? Ainda não. Imagino que vai ser uma revolução gradual, igual o IoT, que demorou para crescer. O edge, quando chegar, vai ser uma nova revolução”, aposta Silvio Campos, CEO da Positivo Servers & Solutions.

Mas o que falta para as operadoras meterem a mão no bolso e tirarem suas redes edge do papel? Segundo Campos, o leilão 5G tem de acontecer. Antes disso, será difícil fecha contratos. Com a expansão do 5G, então as teles vão começar a espalhar mais e mais seus data centers, passando do nível regional para estadual, municipal e, então, conforme as exigências de usuários específicos por baixa latência.

A seu ver, o “tsunami” do edge virá mesmo em 2023. Antes, a 5G ainda está focada nos grandes centros, onde a latência é boa porque as operadoras têm ali seus data centers. Segundo ele, o reflexo sobre a empresa da escassez de semicondutores no mundo levou a um atraso na entrega de servidores, que já foi normalizada, mas houve aumento de preços por parte dos fornecedores em 15% e do produto final da empresa em 7%.

A empresa não atende diretamente as operadoras. Quem fecha o contrato é sempre uma integradora, que faz um plano para atender a tele. O servidor é apenas uma peça do quebra cabeça que será a computação de borda, e o integrador é o encarregado por juntar as peças para vender o quadro acabado. Mas, segundo Campos, seu integrador já negocia a borda com as maiores operadoras móveis brasileiras.

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