5G pode ser ativada nas capitais independentemente de solução para a TVRO


O superintendente de outorgas e recursos à prestação da Anatel, Vinícius Caram, afirmou hoje, 2, que o 5G poderá ser ativado nas 27 capitais imediatamente após o leilão. Segundo ele, a ativação nesses casos independe da solução adotada para resolver a questão da TVRO. Ele participou do Congresso Latino-americano de Satélites, promovido pelo site Teletime. 

Caram disse que os dados técnicos coletados pela agência mostram uma viabilidade total de ativação da 5G em 3,5 GHz nas capitais. Nestas cidades, há 476 estações terrestres cadastradas que podem ou não precisar de filtros para conter interferências. Já as estações na faixa de 3,7 GHz são apenas 63 unidades, que precisariam de uma limpeza ou realocação caso se adotem os 100 MHz adicionais para 5G. Quando se analisa uma adjacência maior do 3,7 GHz a 3,72 há apenas 14 estações terrestres, que podem estar adjacentes ao bloco regional. 

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“Posso garantir que, após a licitação, os vencedores poderão ativar o 5G no país sem nenhum atraso. Não há discussão sobre disponibilização da faixa. A área técnica da Anatel escolheu a faixa de 3,5 GHz por questões de padronização e harmonização global. Posso afirmar que a faixa está disponível. Será possível ativar o serviço nas 27 capitais atendendo, segundo dados do IBGE, 50 milhões de habitantes”, afirmou Caram.

Ele destacou que há 20 mil ERBs nas 27 capitais que terão um processo gradativo de ativação. Para ele, a TVRO não é um problema para ativação do 5G em 2021 independentemente da solução de mitigação por meio de filtros ou migração para a banda Ku, embora possa haver casos pontuais que precisam ser tratados paralelamente à implantação do 5G.

“Sabemos que a cobertura de TV digital terrestre é consolidada em grande parte do país e com grande quantidade de canis disponíveis. Há estações usando faixas adjacentes na banda C (C estendido) além da TVRO e as próprias estações terrenas do setor satelital. A TVRO depende de solução e já foram identificados os custos e os prazos. O mito de que é preciso limpar a faixa de 3,5 GHz precisa ser melhor trabalhado”, defendeu Caram.

Ele apresentou dados de um estudo sobre a capacidade das bandas destinadas aos satélites. Na banda C estendida há sete satélites brasileiros e nove estrangeiros somando 1,9 GHz, quase a metade da faixa não está em uso, ressalta o superintendente da Anatel. Quando se considera a destinação de 100 MHz adicionais para o 5G, seria necessária a limpeza de 75 MHz de forma a realocá-la em outra porção de espectro da banda C.

“O estudo revela que a Banda C tem sete satélites brasileiros e 21 estrangeiros e uma capacidade de 18 GHz e quase 30% de ociosidade, o que mostra que é possível a migração dos 75 MHz para o bloco entre 3.8 e 3.7GHz. Caso a solução seja a migração para a banda Ku, também há disponibilidade, pois são 11 satélites brasileiros e 21 estrangeiros com capacidade de 23 GHz”, completou Caram.

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