5G antecipa demissão de Ernesto Araújo do Itamaraty


Depois de publicar em rede social de que negou um pedido da senadora Kátia Abreu (PP-TO) de fazer um gesto em favor dos interesses da China na instalação da tecnologia 5G, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu demissão do cargo, nesta segunda-feira, 29. Seu comentário gerou uma forte indignação no Senado, que ameaçou boicotar qualquer ação da pasta. 

Segundo a postagem no Twitter, Kátia Abreu teria dito ao chanceler que ele seria o “rei do Senado” se fizesse um gesto em favor da China no 5G, pois a postura do Governo Federal até o momento seria de impedir a participação das empresas chinesas no leilão a ser feito em breve. Em comunicado divulgado à imprensa, a senadora refuta qualquer pressão, diz que a reunião foi pública e que ela defendeu no encontro com o chanceler que não pode haver, em licitações, “vetos ou restrições políticas”. 

“O Brasil não pode mais continuar tendo, perante o mundo, a face de um marginal. Alguém que insiste em viver à margem da boa diplomacia, à margem da verdade dos fatos, à margem do equilíbrio e à margem do respeito às instituições. Alguém que agride gratuitamente e desnecessariamente a Comissão de Relações Exteriores e o Senado Federal. É uma violência resumir três horas de um encontro institucional a um tuíte que falta com a verdade. Em um encontro institucional, todo o conteúdo é público”, diz a nota. 

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Mobilização do Senado

Pelo Twitter, o Senado se mobilizou para demonstrar apoio à senadora, que preside a Comissão de Relações Exteriores, repudiar o ataque de Ernesto e pedir a demissão do diplomata. A declaração de Ernesto Araújo, feita via Twitter, veio logo após os senadores demonstrarem insatisfação com o ministro em relação à atuação do Brasil na pandemia de covid-19 e na compra das vacinas, em audiência pública com o chanceler, na semana passada. Ele foi pressionado pelos parlamentares a pedir demissão. 

Ainda não foi indicado oficialmente o sucessor de Ernesto Araújo, que segue no Itamaraty até a posse do escolhido. O fato é  que o chanceler olavista não encontrava mais apoio nem em setores do governo, como os militares. Ele já era considerado um entrave nas negociações da vacina com outros países, especialmente a China. (Com informações da Agência Senado)

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