4G Americas elogia a Lei das Antenas e vê impacto futuro, no 5G


O diretor para América Latina e Caribe José Otero acredita que a Lei das Antenas, aprovada recentemente pelo Senado e que aguarda sanção da presidente Dilma Rousseff, vai acelerar a expansão das redes LTE no país e deve também criar um ambiente favorável para a chegada do 5G, depois de 2020.

“Toda legislação que harmoniza a instalação de antenas é positiva, ainda mais em um mercado como o Brasil, com 5 mil municípios. Se há uma regulamentação homogênea, diminui-se as questões com diferenças burocráticas entre regiões e acelera-se a instalação do 3G ou 4G no país”, ressalta.

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A 4G Americas não tem estudos para verificar se uma lei federal contribui para acelerar a implementação de redes móveis. Mas Otero destaca que o benefício é palpável, uma vez que existem casos de operadoras esperando há cinco anos para obter uma autorização. “Nesse tempo, a rede fica congestionada. Ter apenas um processo a cumprir é algo muito positivo”, diz. A lei de antenas estabelece prazo máximo de 60 dias para que o trâmite burocrático de liberação de instalações seja concluído.

O diretor da 4G Americas, que representa operadores e players da indústria de telefonia móvel no continente, diz ainda que legislações desse tipo tendem a reverberar por longo prazo. A lei também facilitará a instalação de small cells, tecnologia que parece ainda esperar um empurrão no país, mas que será fundamental para a próxima geração de redes móveis. “Em small cells, o mercado tem de mudar. Elas são um componente muito importante, parte do standard do 5G. Hoje falamos de 5 mil, 6 mil macro cells para uma rede móvel. Com small cells, são 100 mil unidades em uma rede, isso se quisermos que as velocidades pensadas para o 5G sejam cumpridas no mercado”, resume.

LTE-Advanced nas Américas
No continente, a tecnologia mais rápida de conexão de quarta geração, o LTE-Advanced, engatinha. As redes são escassas, nos Estados Unidos, e inexistentes na América Latina. Este cenário deve se manter pelos próximos anos, acredita Otero. “O problema com a instalação do LTE-A é que você precisa de um backhaul muito robusto. Precisa de fibra óptica, o que você não tem em muitos lugares do país”, lembra.

Por isso, ele acredita que, no médio e longo prazo, as operadoras devam partir para estratégias de nicho, oferecendo o acesso mais rápido, de até 300 Mbps das redes LTE-Advanced, em poucas cidades, talvez bairros. “O que vai acontecer no Brasil é que vão lançar o LTE-A em localidades específicas, de alta renda, com concentração de grandes negócios. No momento, o que está havendo no país é a expansão do LTE normal”, ressalta.

O Brasil tem sete redes 4G. É o país com maior número de redes do tipo na América Latina, após uma expansão patrocinada pela Copa do Mundo. Depois vem Porto Rico, com cinco redes. América Latina e Caribe têm 48 redes em funcionamento, das quais, 19 foram lançadas em 2014. Outras 10 redes devem entrar em operação em 2015.

E como o caminho é a fibra, Otero vê com bons olhos as iniciativas governamentais de levar este tipo de conexão aonde for possível. “Levar fibra óptica a todas as cidades [algo previsto do projeto Banda Larga para Todos] é muito necessário. Colômbia, México e Chile, todos têm projetos de conectividade dos governos em que o principal elemento é a conectividade por fibra óptica”, observa.

 

O Brasil está bem posicionado em relação a seus vizinhos. “O país é o com mais rápida adoção do LTE na América Latina. Como publicou o IDC, o número de usuários de smartphones 4G é muito maior que a média nos outros países”, conclui. Atualmente, são 9,6 milhões de usuários 4G na América Latina, em um universo de 725 milhões de clientes de telefonia móvel. A expectativa da 4G Americas é que o número cresça do atual 1% para cerca de 11% do mercado em 2018. Até lá, haverá ao redor de 845 milhões de usuários de celular na região, dos quais, 92 milhões usando o 4G.

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