Zuckerberg admite que Facebook coleta dados mesmo de quem não é usuário


Zuckerbeg diz que ele mesmo teve os dados usados indevidamente pela Cambridge Analytica e que leis para tratar da proteção aos dados e à privacidade dos usuários são inevitáveis.

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Terminou hoje (11) os dois dias de depoimentos dados por Mark Zuckerberg a parlamentares norte-americanos. Ontem, o executivo esteve em audiência com senadores, hoje, com deputados. Em ambas as ocasiões defendeu as práticas da rede social de coleta e proteção de dados pessoais de usuários de internet.

Mas foi encurralado por algumas questões, como se ele divulgaria ali, diante de todos, informações pessoais, ou se no vazamento de informação para a consultoria Cambridge Analytica havia também dados seus. Para a primeira questão, após hesitar, respondeu “não”. Para a segunda, de modo direto e curto: “sim”.

Os deputados também levantaram questões sobre internautas que não são cadastrados no Facebook, mas, mesmo assim, acabam tendo seus dados coletados pela rede social. Uma deputada lembrou que é possível interagir com os botões “Like” em sites mesmo sem uma conta na rede social.

Mais tarde, Zuckerberg admitiu coletar informações de pessoas que não usam a rede social “por motivos de segurança”. Ele não explicou, no entanto, quais seriam esses motivos de segurança nem como alguém que não se cadastrou no Facebook, mas teve dados capturados pela rede social, pode exigir a exclusão dos dados sem ser inscrito no serviço.

Conclusão

Ainda não se sabe qual será o resultado das audiências. Nos Estados Unidos, especula-se que os parlamentares vão mesmo propor regras para restringir o abuso na coleta, no tratamento ou no uso de dados de usuários de serviços online. Elas têm a rede social como alvo prioritário.

O bilionário tentou deixar patente que o Facebook possui políticas de privacidades evidentes. “Toda vez que alguém opta por compartilhar algo no Facebook aparece um controle. Ali, na hora. Não atrás de configurações em algum lugar, mas bem ali”, disse.

O depoimento agradou o mercado. Conforme a agência de notícia Reuters, as ações do Facebook subiram dois dias seguidos porque Zuckerberg foi hábil em evitar se comprometer com a necessidade de leis específicas para o uso de dados pessoais atrelados à publicidade digital. Ele, no entanto, chegou a afirmar: “É inevitável que haverá necessidade de alguma regulação”.

Os políticos saíram da audiência afirmando que haveria mudanças no Vale do Silício e que outras empresas seriam em breve chamadas para comentar os mesmos assuntos. (Com agências internacionais)

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1 Comment

  1. reinaldo
    12 de Abril de 2018

    Olha, acho que essa discussão de quem não é de tecnologia para com quem é de tecnologia está meio estupida. Quem não é do ramo parece desconhecer que há milhares de funcionários, um aparato gigantesco de computadores localizados no mundo todo, interconectados e infraestrutura rodando 24hrs durante 7d e isso tem um custo… Ninguém paga nada para abrir um email, ter uma conta de facebook, ter um canal no YT e usufruir de demais serviço… o engraçado é que só agora descobriram que o produto era o próprio usuário. Senhores nunca haverá sistema gratuito… Ou menos se for bancado por um bilionário generoso, será que quando decidirem cobrar pelo uso e deixar de coletar os dados o pessoal irá pagar? O que acho que as pessoas tem que entenderem é que para manter os serviços da web “gratuito” tem um custo. Abrir um site como esse e mantê-lo dependendo do número de acessos, é pago. Acho que a privacidade morreu antes no antigo Orkut, mesmos naqueles chats de paqueras as pessoas já revelavam muito sobre si…